quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[líquida aquarela insurgente]



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quero endoidecer os relógios do mundo com meu tempo às avessas . deixo meu amanhecer inundar tua capacidade  de flor(ir) . não me incomodam pensamentos rasos, estão perdoados até a última geração . (des)aparecem meus rastros e nem toda sutileza me basta . sou amiga da lua, que me ensina a comover o sol . como o astro.rei deixo luzes escaparem sem alarde . aprendo com palavras tolas a subverter lógicas perversas . entendo palavras invasivas que tomam corpos qual marionetes . meu sentido anti.horário segue o correr dos dias que não se deixa destruir . tenho ideologias de sobra e com elas reflo(resto) campos sem cor . ensino o tom das sombras que desvirtuam olhares e quase passam despercebidas . aquarelas novas escorrem do que consigo vislumbrar, in(e)visíveis . de propósito ensaio peça que pode ser muito mal interpretada e nesse teatro enceno acesso livre ao que nele deixo de mim feito obra aberta . sou hoje porque fui ontem e amanhã é já dentro do que invoco e me invento . derretem e somem no esgoto resquícios de nadificação que não acompanham meus passos . sou das marés que encabulam pensamentos limitados, pela insistência, pelo simples fato de ir.e.vir . aprendi liberdade com quem nunca teve direito a tê-la e por isso a emanava e refletia . devaneios desse texto já esvoaçam outras vias líquidas em que preciso navegar.sem.fim . lá estou e sou .



19.09.2013


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1) Fonte da imagem original: http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/mulher-correndo-mar.jpg | Fonte da Edição: http://pixlr.com/express/

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