quinta-feira, 22 de março de 2012

reino


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PARTE I - maio vinha montado no frio . embarcações seguiam em comboio a rota costeira, em temor dos mitos marítimos . salvaguardas de vidas, almas errantes, rostos por chão . a cada golfada de vento estremeciam os corações tripulantes . madrugada não se deixava vencer pela barra do dia, insistente . sem escapatória, o imprevisto já demarcava seu território . gritos, atropelos, som de corpos chocando-se contra o mar...


PARTE II - uma nuvem medonha tingida de cinza.chumbo ladeando a rocha negra daquela enseada já era imagem tenebrosa o bastante para criar um monstro . uns juram conhecer as multifaces do deus vingador . outros vêem apenas as imagens criadas pela fabulação alheia . outros ainda fingem ver o que não viram com veemência .

15.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://beautyfase.blogspot.com.br/2007_04_01_archive.html

tangente


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com vírgulas escrevo outros dias . não há lágrimas nesses olhos escuros . réstias de um quase cedo desperdício . lua vem valsar com o frio ao meu redor . marcas de nosso pensamento levantam no ar . lembrar não faz só bem, há um quê de elementar nesse movimento quase involuntário . palavras difíceis gostam de mim e quase nunca há tempo pra esse diálogo . penso no improvável como um exercício caro e necessário . quero tocar qualquer âmago e senti-lo também meu, como se fosse em mim . não há porta a sair .


20.03.2012


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://panelinha.ig.com.br/site_novo/meuBlog/rita--945?PHPSESSID=89244a5bad8072780d583702229f2b4c

terça-feira, 20 de março de 2012

outonos

 


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por debaixo de quase abril suspeito das tardes . flauta que toca ao longe traz melodias de vento arredio . sonatas ao horizonte atiçam sentidos e folhas quase tristes . já há cores esquecidas na memória . árvores nos espreitam em tramas de piquenique . nem alvos nem cinzentos, cantam pássaros nada tímidos . tua meiguice combina com esse tempo singelo, tingido de passado . ouço o que move as batidas de teu coração e não me surpreendo com as imagens que formam em mim, somente .

20.03.2012



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://sumartins.files.wordpress.com/2010/06/image5.png

passarinho



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à tarde, ouvi teu canto da minha janela . estirei a mão e lá se foi meu pensamento passear em outra tarde.espaço.sertão . dentro da vida... uma asa quebrada . dentro da noite... uma alma sem par . dentro do peito... um canto rouco . anoitece e tua existência chega até mim por notas e sintonias . somos tocados pela toada que habita nosso (só nosso) céu . ligados pela sinestesia, nossa irmã . ai de mim se não fosse nossa ponte feita do concreto.pensamento .

16.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) http://www.flickr.com/photos/vanpad/6278121676/ - by Vanessa Padilha

rua


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quero escrever poucas palavras e vê-las cair, pétalas jogadas . estremecer com tuas metáforas, qual frio de mar . saio e a rua não me desfaz em modernosa simplicidade . respiro e nunca esqueço um sonho de futuro . sinto um pé.de.quê prestes a romper a luz de minhas retinas . amanhã já nasce mais regada à essência que emanas quase em sonho . nada tem fim .

27.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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mar de rio


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frio a veranear em meu poente . brisa sem fresca equidistante . sopro em vapor passeia-me verticalmente . entre seria um bom nome para meu mundo . rasuras não me preocupam quando há mais pela janela . imprecisão combina com minhas cheias e estios . músicas enchem minhas salas de baile . versos descasados flutuam e ultrapassam meu telhado de palha . nas portas entalho rimas mancas . infinitas estações navegam junto a mim . iara em tom de verde.limo me espera para um instante a mais de encantamento .

26.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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 (1) http://pitangadoce.blogspot.com.br/2011/08/o-amor-e-grande-e-cabe-nesta-janela.html

doce discordância




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doce discordância. dia em que trago nos sentidos um azedo de amora . inimaginável, vago pelo doce amargo das impossibilidades . aprendo um teorema a cada derrota previsível . não quero o plausível . na ausência do impossível não fio meu credo . antes quebrar um sonho do que apenas reunir os que já existem . nem margem nem centro me contentam: sou das lateralidades aptas a serem inventadas . ânsia de vastidão toma conta de mim . de nada a tudo, resta-me a razão consciente .

21.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) http://paoliumaaprendiz.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html

de estrelas

 
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brilho deramado na poeira cósmica que somos nós . altura engrandecida por desvios estéreis, qual cabide de estereótipos . elementar rota de acesso perseguida à custa de apelos vazios . no alto de árvores, antes de certas esquinas, substituindo cérebros . escorrego na fria hipocrisia que se quer fábrica . conto um segredo pra quem quer ser somente lua .

10.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) MIRÓ -  http://dialogospoeticosimello.blogspot.com.br/2011/06/pedaco-de-ceu.html

quinta-feira, 15 de março de 2012

[ por.do.sol ]

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bailado de luzes brinca ante meus olhos e cantam árvores teimosas . mais à frente, azul se entre.te.ce com verdes a espreitar rosas.lilases vestidas quase de outono . vento sopra tempos escondidos no prateado que toma teus cabelos e te ensina charme em disfarce . lua tímida (:) da esquina estica os segundos de seu encontro com o sol, já espalhado na paisagem . tarde preguiçosa a pregar peças: rouba o orvalho de amanhã e o cheiro da madrugada . dentro do tempo, pétala me ensina sonho pra te acordar - poesia .



15.03.2012

(atualizado em 15/03/2017)


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]



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(1) Imagem - http://entreosoleasbrumas.blogspot.com/2007_10_01_archive.html
e http://1.bp.blogspot.com/_F_HnS3u2uiI/RxjpkPSSkMI/AAAAAAAAAps/KJGxgjtjhS8/s320/2i9qmms.jpg


 

terça-feira, 13 de março de 2012

[sem.ser]

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vertiginosa, mais que anímica . razão menos que o escurecer . ao vento e sempre diferente . divergente e nunca ao amanhecer . sem sorrisos e quase alma . nas madrugadas, sorrateira e longe de extremos . ao alto com os azuis . pelos verdes, simples luz . nem radiosa, nem onipotente . apenas sem.ser... in.cer.te.za. 

16.02.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) http://ninaerafa.blogspot.com/2012/02/tem-que-ser-sempre-assim.html

assimetria

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mar, parede e meu devaneio . onde não me escondo reconheço meu avesso . passo por baixo da tempestade que me espera desde sempre . areia em modelagem dos tempos sopra-me anseios enviesados . não perco a linha e o que digo na barra da saia . era mais tarde quando nasci de um amanhã movediço e azul . meio se faz de caminho em meus começos .

09.02.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) http://camilatorrezan.blogspot.com/2008/03/assimetria.html

quinta-feira, 8 de março de 2012

[ paisagem de enigma ]

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réstia colore solidão . folhagem assombra desertos de ser . passo instantes sem cor diante deste agora . flores perdem furta-cor em nome do transparente e do vai s'embora . atalaias não lamentam meu foco quase míope de você . escarlate se perdeu rumo ao agora . esqueço que sei sentir saudade . busco caminhos doutos somente por impulso . afasto dúvida da vista turva . vento me ensina a colher imensidão camuflada em tuas chuvas . parto ao longe, no espaço . sou vista sinestésica .


07.03.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva 


(atualizado em 08/03/2017)


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(1) Imagem:  http://nasestrellas.blogspot.com/2010/06/o-misterio-da-vida.html