sábado, 30 de julho de 2011

ITINERÂNCIA

(1)



Vem, poeta andante
cobrir-me de olhares 
inventar-me em mistérios 


abre-me a porta de tuas tardes
recebe-me em teu palácio mais lírico
dá-me a conhecer tuas palavras


NO CAMINHO: passas por entre luzes d'espanto
esconde-te em instantes profanos
entra em meus pensamentos como dono


já rasguei enganos
troquei sentimentos insanos
e não mais me arrependo dos devaneios


nossa utopia é possível
vale-me como vida
estreito cada vez mais nossos laços 


25/07/2011

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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domingo, 17 de julho de 2011

Anelos d'instante

 (1)



passo pela cidade adormecida 
não sei onde moras 
bato à porta da saudade 


um tempo se precipita 
nossas costas se encontram 
e um poema se escreve em nosso contorno


quero escrever e não posso. Nossos instantes são imperiosos e não há o que fazer senão vivê-los, mesmo que em outras esferas da existência. Clamo pelo silêncio que reina na madrugada e que é só nosso. Ninguém ousa sequer sonhar o que podemos nesse entrecho de tempo. Ao contrário do que se supõe, a distância nos une e nela inauguramos cidades prenhes de vida. Não há fantasmas ou ilusões que não sejam bem quistas aqui nessa história. Nossa temporalidade é de encanto e exala mistérios que nos fazem sorrir sorrateiros, enigmáticos, prontos a encucar os outros. Rimas não temos e o que queremos é exatamente isso: não rimar o possível. Se há encontros que sejam no mínimo improváveis, etéreos, salvaguardados em nosso salão de bailes da memória. Vivemos uma melodia que ainda será escrita por nossas palavras mais sonoras. A saudade mora ao longe e não nos alcança - está presa na capa de dentro de nossos livros, regida pela lei de nossos versos livres.


16.07.2011

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



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(1) FOTO: http://www.bimago.com.br/quadros/quadro-paisagem/vilas-e-aldeias/cidade-de-madrugada.html

sábado, 16 de julho de 2011

MEU LEVITAR

(1)




                            
                                       
                                         Estou nas nuvens: rodeada de livros
                                             estantes como refúgio 
               deito sobre um céu de palavras 



                                                          quero este escritório 
materializo aqui um de meus desejos confessos 
          faço planos pra sonhar 



                              nuvem profissão
                                não para esquecer problemas
aqui contabilizo pendências zeradas



um livro vem à mão
                     nele escuto o que já li e em ti vivi
       da capa saltam nossas imagens compartilhadas



                             volto desse voo
                                       e uma palavra me acompanha
               a que casa com minhas quimeras aladas: imensidão




13.07.2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) FONTE da imagem: http://imaginadongo.blogspot.com/2011/03/destinatario-remetente.html