domingo, 30 de outubro de 2016

[ contemplações de baobá ]




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rastros de silêncio . guardo chave pra abrir tempo . tempestade . ligo rádio e passado me diz que tudo é vento . deixo livro entreaberto na página que ouvirei quando deitar e se os olhos quiserem reescrever o que não sei . sereia e chuva se combinam nos mares que cortam esse sono que não vem, seco . revista nova não dá conta de alma nua, perdida em madrugadas . estalar de dedos . sussurros . maré alta dentro da noite que já foi fria . estatuto de aprendiz se quer incerto, feito algum eu que não existe . desacato se perde na rua direita . são paulo e rio . papel colado à parede lê versos pra mim e não é sonho ou devaneio . palavras escorrem, quase em mangues desprezados quando há palco sem hiatos . recuso o riso de academia e seus ferros pesados, corpo duro . viva a flacidez lírica, que sabe bordar como ninguém linhas azuis de vida acesa . ode ao corpo possível, talhado em músculos de pura ilusão . visto a paisagem barata e tão alta quanto um soneto shakespeariano . vestido esfumado na neblina furtacor se exibe indefinido . cheiro de relva lavada e teus orvalhos sorrateiros . relógio perde-se de mim e não há praças sem bancos por onde ir, sen.hora .



 30/10/2015



Andréa do N. Mascarenhas Silva



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(1) IMAGEM: Foto original de Thomas Baccaro - http://thomasbaccaro.com/Silence e http://payload32.cargocollective.com/1/6/212861/2958123/Silence_Baccaro001_1000.jpg




terça-feira, 11 de outubro de 2016

[ Mapa da Palavra FUNCEB 2016 ]



..Andréa Mascarenhas..









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"Andréa Mascarenhas é pesquisadora, professora na Universidade do Estado da Bahia, doutora em Comunicação e Semiótica – PUC-SP, mestre em Literatura e Diversidade Cultural – UEFS/BA  e Especialista em Letras (UEFS/BA). Edita o Blog literário “..Arquivos.. impertinentes” . Participa do Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia – com verbete biobibliográfico (2015). Publicou textos poéticos em Revistas Literárias nacionais e internacionais. Também tem poemas publicados no Jornal Fuxico e no Latitudes Latinas, site ligado ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos, da Universidade Federal da Bahia. Pela Pastelaria Studio (Portugal) participou de três antologias literárias . Pela Editora Pragmatha (Brasil) participou do Caderno Literário n. 66 e da Antologia Sou Poeta, Com Orgulho 2 (2015)."



 ..Escrita..

 

[..nunca se puede olvidar de la calle..]



teu cheiro de manhã me acorda por dentro . já são horas de embevecer . de crepúsculos insones apreendo lembranças tolas . estados de ser tão vagos como asas que supomos possíveis . não tenho tarde como ponteiro . ameaço teus segundos contados . meu tempo é casado com já velhas madrugadas . por la calle un tango se nos recuerda e valsamos (…) porque é noite sem calma e chama . à luz das horas abortadas um pedinte nos desarma e só tem o tesouro do olhar e nos fuzila . nossa cota de lirismos mal arrumados ainda alimenta vísceras arruinadas no alento de repartição . nossa pobre segurança nos transforma em plebe rasa . prefiro o chão rasgado de tuas certezas a meus pensamentos uma hora adiantados . quero-te, mesmo com lógica comprada pronta, ainda que apites à contramão teu cheiro de distância e teu senso de perfeição alheia . o risco é amanhecer .



..Histórico de escrita..

  • Verbete biobibliográfico (Círculo de Estudo, Pensamento e Ação), 2015;
  • Resenha sobre o livro A Coleguinha (Respel), 2001 ;
  • RevistA; Eu-lírica; em: Sou poeta, com orgulho (Pragmatha), 2015 – poesias;
  • Sons de impossível; Perfumaria; em: coletânea Som de Poetas, 2015 - poesias;
  • [atriz]; [de Orfeu];[an.águas]; [car.ess.ência]; em: Revista Mallarmargens, 2015 – poesias;
  • [..nunca se puede olvidar de la calle..]; [fruir de amanhã]; [rasgo de envelhecer]; em: Latitudes Latinas, 2015 – poesias;
  • [em ti, passar e trovar]; [não preciso]; em: Elipse - Revista literária galego-portuguesa, 2015 – poesias;
  • [MOÇO À JANELA]; [ESPECTROS CARNAIS]; em: Revista Desassossego, 2015 – poesias;
  • Água furtada; Casca; Inocência; [prezada desarmonia]; [ filosofia em amarelo ]; em: Revista Subversa, 2015 – poesias;
  • Chuva e eu; em: Caderno Literário Pragmatha, 2015;
  • [carta perdida pra ontens]; [parcas brisas]; [paZciência]; em: Revista dEsEnrEdoS, 2015 – poesias;
  • [amarelo cais]; em: Coletânea Ei-los que Partem, 2015;
  • [en.sina]; [rar’efeito]; em: Revista Literária Varal do Brasil, 2015 - poesias;
  • Procur ação; em: Revista Cultural Artpoesia I, 2012 – poesia;
  • Viagens imaginárias através da literatura de cordel: memórias do antigo mundo ibérico; em: Revista Outros Sertões, 2008;
  • Registros de imaginário: caminhos críticos e leituras (EDUSP), 2008;
  • Posfácio ao livro. Conceição do Coité, 2004;
  • Arquivos da Oralidade: matrizes, matizes e misturas culturais (Gráfica da Universidade Estadual de Feira de Santana), 2002 – Resumo;
  • Imaginação duplicada; em: Jornal Multicampi da UNEB, 1998 – conto.

 

..Blog..

arquivosimpertinentes.blogspot.com.br/

 

..E-mail..

marenhas@hotmail.com




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FONTE:
http://mapadapalavra.ba.gov.br/andrea-mascarenhas/

FOTO:
José Henrique Valença Silva Filho