quinta-feira, 17 de abril de 2014

[pétalas de cor]





(1)







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sorri
tempo indefinido
dentro de teu olho: espelho

é noite
em dia alto
um salto de contraste

apago a porta
e se incendeia em nós
cor de outro dia


///


chove
tarde
uma pétala para cada instante

ecoa
teu pensamento
pra junto de nós

côncavo
sem par
acredito em cada sentido mudo


§§§


amanhã
terei cheiros de abril
e plena navegação

noite infinda
leio tuas constelação e
assim anoiteço em fios de cores quentes


***


tons de cerejeira
cegam minha lucidez:
impressão de infinitos

sou de azuis
pastora de nuvens
e de flores-sertão



>>>


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


17.04.2014


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(1) FONTE da imagem: http://24.media.tumblr.com/376322d42d9eb5584eda67e8d2df129c/tumblr_mhgt9fE1f11s3fm0bo1_500.gif

terça-feira, 19 de novembro de 2013

[vida]



















(1) 





.. princípio de relatividade ..
presente novo a cada dia ..

 

possibilidade surpreendente de olhar para o passado e vê-lo tão vivo .. capacidade de fazer germinar futuros possíveis .. faz ver a mobilidade da qual somos parte e que também depende de nós para operar outros movimentos .. de instante em instante aparentemente fugidios e desconexos arquitetamos a existência ..

 

sonho à salvo pelo rito de insistir e acabo por ferir teu olhar incrédulo .. congelo expectativas na falta de certezas que adoto como regra, nula em pleno procedimento ..

 

creio em versões melhoradas pela potência do ser ao se dar conta de sua condição de mera edição em vias de rascunho .. tomo e me sinto parte de um grande arquivo, qual livro em biblioteca .. como documento rasurado tenho a exata medida do que valho .. vivo à dependência do olhar diante da capa que sou a cada dia ..

 

enfrento intempéries de prateleira, mofo e o passar das páginas - ora sob delicados dedos, ora sob pressa.e.sofreguidão .. mal de arquivo foucaultiano toma-me por imagem vã .. anseio múltiplas vidas em uma só e ensaio meus atos sem penitência .. outras dimensões me fazem possível nesta e as certezas me chegam por círculos concêntricos .. essas e outras lições aprendi com Line e em outro tempo.e.silêncio..



 

bailarinas de tênis atravessam palco-cidade e chamam minha atenção para outro trânsito .. sapatilhas fazem as vezes de quadros na parede .. Mários.e.Manoeis cantam a rua em palavras .. e por esse garoar também podemos ser chão de giz ou Grão Vizir ..




 


20/10/2013




 

Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) FONTE DA IMAGEM: acervo particular da autora.

sábado, 12 de outubro de 2013

[.c.r.i.a.n.ç.a.]

(1)










.c.r.i.a.n.ç.a. criar esperança . em cores infinitas .


. nesse hai-Cai relâmpago crio . espero . fio .

. há tempo indefinido nos olhos infantes . e nunca alcançamos . sua aura .

. no soluço que se esquece . rápido . infinita lição .

. olhos cruzados . constante mira . e-desafio .

. exemplo que fica . e nos invade a alma . de sempre em sempre .

. diante da busca . do mar revolto . rasgo de calmaria no fundo do cesto .

. regar a criança que fomos . e somos . conta inexata .

. soltar fugacidades . como bolhas de sabão . eternas sob bruma e solidão .

. há que se tirar o trabalho . das mãos . com chuva de plumas.imaginação .



12/10/2013



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1)  Foto: Sebastião Salgado - Série "Trabalhadores" - FONTE: Marcos Vasconcellos - https://www.facebook.com/marcos.vasconcellos1


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

[invisíveis]




 
 (1)

(2)



 

















 (3)



precisamos acertar nosso tempo.paisagem . leio vertigens de papel e tonta me faço fugaz . de eletrônica a cibernética, atônita factualidade . pseudo vida representada, imagética, muda . espetáculo de ridículos comprado em plásticas divisas . assisto, inter.ajo, comp.actuo, enquanto me despem a alma de sutil em sutil . diante do quadro.abismo crio asas e decolo para o lado menos óbvio de tudo isso . retomo as portas do ser, destilo meus próprios ares pra limpar vidraças forçadamente opacas . quero lirismo a escorrer dessas teclas para alcançar outros mundos.byte . não me basta saber caminhos e sutilezas: vejam, há também outros olhos maquinando nossa vista . pra cima, sob, por todos os lados cordões invisíveis manipulam - quase dentro, quase anjos . ateio laivos de sandice sobre cinismo alheio: (in)combustão em fogo liquefeito . raros pares aptos a alguma comunicação lírica vestem auroras . neblinas perdem a capacidade de fino manto e nos embebem de madrugadas possíveis . não esqueço caminhos de mar quando sou mandacaru . flores alcançam meus vestidos pra espantar solidão que já não pode ser mais sorrateira .


 
06 e 07/10/2013



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva






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(1) FONTE DA IMAGEM: São Luis - MA, 2011. Acervo particular da autora (edição: http://pixlr.com/o-matic/).
(2) FONTE DA IMAGEM: São Luis - MA, 2011. Acervo particular da autora (edição: http://pixlr.com/o-matic/).
(3) FONTE DA IMAGEM: Conjunto Nacional, Av. Paulista - São Paulo, 2011. Acervo particular da autora (edição: http://pixlr.com/o-matic/).

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

[rasgo de envelhecer]




(1)







pouso o amanhecer que me inquieta, mas não paro . ouço risos infantes que já se misturam com os meus, sem tempo . acalmo músicas e distâncias que quero dentro . uma fogueira pra cada solidão que ainda crepita . passos diversos me ensinam outro caminhar inusitado . cada vez mais sei levitar em vapores de sertão . acreditar está para pouco mais que sonhar . com agulhas e bordados também teço escritas . moro em lua de pano quando sigo alta madrugada . faltam poucas pedras em meu pé.de.serra . sonho imensidão povoada de lirismos e todos indecisos entre azul e verde . abro tardes instaladas em fins porque escurecem cedo nossos começos . sozinha, ainda não sei ouvir noites sinfônicas, mas noitifico cada grilo insone . meus hojes vaticinam ontens despidos de amanhãs e assim sou sempre aprendiz de almas poéticas . vagalumes cada vez mais raros, salvo-os aqui, acesos em palavras.lume, a guiarem meus repertórios quase tolos . em.velho.ser, agradeço alegrias a cada dobra de pele.corpo . misturo chás pra beber euforia em doces goles . avizinha-se o tempo que não tenho agora, desculposo por tanta ingratidão . perdoo vozes de maria-vai-com-as-outras em vias de contra.eco . hoje tarda porque reconheço detalhes ínfimos pela universidade de raras humanidades . amanhã não me aborrece porque aposto na surpresa de cada dia . vou com as lidas.lições e ví.vida . 



30.09.2013



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: acervo particular da autora. Tirada em set./2013, entre a Glória e Santa Tereza - RJ/Brasil. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[cênica]





(1)









nem orto nem doxa . natureza viva pra contradizer sempres .  maio com laivos de fevereiro . histriônica certeza de não ser quem penso . apresento minhas versões melhoradas em incertos arquivos de byte . quero entender eterno balido que me toma os ouvidos cedo ou tarde e nunca diminuto . ser em paris ou em qualquer mundinho, importa o que invento . tenho tempo para arredores de porvir . luzes encontram passos que abrem madrugadas . eternidade se avizinha no alcance do facho . olhos semicerrados abandonam adeus apressado . deixo as cortinas correrem sem se fecharem - eis a plateia que espera por mais . torres imitam gravatas em tempos de protocolo . paisagens verticais me tomam o fôlego e me querem como elas: de passagem, esticada, à margem . esqueço a velocidade da luz pra ouvir grilos em noite de estrelas . tantas cidades caducam incertezas de gente dormente . claridades intrépidas tomam árvores de supetão quase o ano inteiro. em vão a metrópole não dorme . alenta-me a certeza de sempre.vivas.primaveras .. ervas que deixam praças e invadem bancos .. tinta.cor a subir pelas paredes sem cobrar ingresso .. sapatilhas de ponta sobre asfalto .. cenas de Maiakovski no botequim ..





26.09.2013





Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) Fonte da imagem: http://imguol.com/2013/01/31/jan2013-foto-tirada-por-pe-lu-do-restart-mostra-a-torre-eiffel-cartao-postal-de-paris-1359644684857_1920x1080.jpg

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[líquida aquarela insurgente]



(1)






quero endoidecer os relógios do mundo com meu tempo às avessas . deixo meu amanhecer inundar tua capacidade  de flor(ir) . não me incomodam pensamentos rasos, estão perdoados até a última geração . (des)aparecem meus rastros e nem toda sutileza me basta . sou amiga da lua, que me ensina a comover o sol . como o astro.rei deixo luzes escaparem sem alarde . aprendo com palavras tolas a subverter lógicas perversas . entendo palavras invasivas que tomam corpos qual marionetes . meu sentido anti.horário segue o correr dos dias e não se deixa destruir . tenho ideologias de sobra e com elas reflo(resto) campos sem cor . ensino o tom das sombras que desvirtuam olhares e quase passam despercebidas . aquarelas novas escorrem do que consigo vislumbrar, in(e)visíveis . de propósito ensaio peça que pode ser muito mal interpretada e nesse teatro enceno acesso livre ao que nele deixo de mim feito obra aberta . sou hoje porque fui ontem e amanhã é já dentro do que invoco e me invento . derretem e somem no esgoto resquícios de nadificação que não acompanham meus passos . sou das marés que encabulam pensamentos limitados, pela insistência, pelo simples fato de ir.e.vir . aprendi liberdade com quem nunca teve direito a tê-la e por isso a emanava e refletia . devaneios desse texto já esvoaçam n' outras vias líquidas em que preciso navegar.sem.fim . lá estou e sou .



19.09.2013

editado em 20/09/2020


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1) Fonte da imagem original: http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/mulher-correndo-mar.jpg | Fonte da Edição: http://pixlr.com/express/

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

[ocup.a.ções líricas]




 (1)





perco-me das iluminações opacas sob o olhar que me permito . tenho retinas alarmadas, pré-avisadas ante os abismos . sinto o cheiro podre de promessas fantásticas, de guinadas travestidas de sucesso . acolho ventos errantes em meu peito porque já senti falta de ares . pareço astronauta nesse mundo vão . minhas escolhas se mostram velhas, apesar de vestir calças de irreverência . escolho durabilidades frágeis, que são vistas como fantasmas alienados .  não quero explicar a aura que me atrai nas coisas para não perder tempo que quero dedicar a elas . crianças são meus mestres soberanos: crescem umas, outras tomam o comando . não tenho todo tempo e desdobro meus instantes sobre cronos . ocupo nano.espaços na captação de ares líricos . pés encontram praia que banha meu imaginário . sou apenas esse frescor a invadir alma a dentro . preciso escrever a carta que vai ao futuro e que me (des)escreve, enviesada, hoje .



29.08.2013




Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: http://artecontemporaneanaocupacaoprestesmaia.wordpress.com/

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

[deixa]




(1)






apagar a noite com velas acesas, não importa . em vagas noites quero teu sono . cumpro a trajetória dos dias acelerados em consciente marcha lenta . atrevo-me a ser só em franco desafio de ser contigo . inauguro melodias pra cantar uma saudade valente, em que me sei em ti . ventos que me inventam somente pra ser brisa e já morar em nossa imensidão . não deixo de me importar com primaveras murchas, mas não posso seguir o desengano . sou de frio que não se avizinha por medo de nossas eternas aparências . encantos me tomam inteira, nua de qualquer verniz . agora ouço tuas tardes apressadas a ralhar por mim . a porta mente, entre ser e estar, pronta para passagens . nosso tempo possível é mais que entre . deixa eu brincar de ser contigo toda manhã . a partir de agora sempre em começo . embarco na neblina que nos divisa pra não sermos sós . arrasto a vista por tuas paisagens líricas e lá monto morada eterna .



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


15.08.2013

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(1) FONTE DA IMAGEM: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZj2YIeOfAfGTjULfLjpBCaPr_CIUwhy-f7ERFr8xXsJKKCxFjfBrSy7GGm1Q0urihTlnZtqDjNCY0fAKj-_ZZDWKWn27h6_rWwSwEEl0Ap6UIR5fScLb33QZFuN_NhQovLX_8THtjQuoz/s400/porta+entreaberta+PAULA.jpg

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

[pó celeste]




 (1)
 




poesia de momento, jogada sobre papel vazio . vácuo que anuncia meus estios em horas desaceleradas . sob palavras esvoaçam apelos cegos . prendo soluços roucos pelo tempo, aqui . ontem nunca deixa de ser hoje, sei disso sempre amanhã . rua marca pele que não se esquece, porque tenho olhos inconclusos e passos para além de nós . estrelas acompanham réstias que se desprendem de mim . nesse tom me permito ser toda madrugada . alinhavo cá dentro reflexos de teus pensamentos esquecidos ao relento-passado . gritos desimportantes deixam de nos abalar desde que nos importamos mais com nossos azuis e nada se fez menos . céu escurece em nossas noites claras, assombradas apenas por rastros de nossos encontros cadentes . tenho marcas abissais mas não me perco nelas . sei a exata profundidade desse mar que me ensina a ser oceânica como ondas que vão e vem e são mais que si mesmas, sem perder a leveza oportuna dos ventos . gosto de querer sonhos impossíveis, sobretudo quando me dizem que não adianta sonhá-los . sou radicalmente do contra, nessas horas .



26.07.2013



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) Fonte da Imagem: Noite Estrelada - Star night, de Vincent Van Gogh - http://goodburger.files.wordpress.com/2012/03/starry_night_over_the_rhone.jpg