terça-feira, 30 de abril de 2013

[aura]




   (1)




antes da porta bater, sou toda entendimento . conjunto marcado de fim a começo . sem interseção, faço convite para outros sinais . lampejo de madrugada me obriga a teus sonhos . arqueiros, por ora, espreitam meu sono: rimam ameaças flutuantes . controlo apenas o contorno de tua presença em meus mundos . a feiticeira que fui ensinou-me matizes verde.azuis e raros polimentos de alma . corpos sentem frio de imaginação . prefiro ajudar auras que se auto.sabotam em nome de medos desgovernados . sem mistério, desobedeço a existência . apesar das circunstâncias, não deixo minguar a vontade de sorrir contigo, de pernoitar em comboio, de ser pic-nic e parque, de acordar teus crepúsculos, de velejar sem plano à luz de uma quarta-feira, de aproveitar tuas leituras enviesadas e de sempre me fazer de noite em tuas luas . empresto aura rarefeita nas chuvas sertanejas d'ainda agora . prossigo revisitada em teus instintos . agora sou minuto destoante entre teus apuros .

 

29 e 30 / 04 / 2013

 
Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva 



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(1) IMAGEM - http://contosdeumquotidiano.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html

segunda-feira, 22 de abril de 2013

[apoteVozes]









(1)




escavo restos de teus lirismos . frio mantém saudade acesa . nossos espelhos ainda se bifurcam longe de nós . pensamento corre em trilhos sorrateiros . sem portas ou janelas, lidamos com outras frentes . em bites ou velocidades.luz, ajustamo-nos em uma só polaridade . entoamos mantras sob respiração descompassada . escrevo em diálogo suspenso, quase indecifrável, não fossem as tonalidades que nos sabotam a imaginação . nossas vozes não se aquietam com palavras vãs . pulso marca tempos inconstantes, alienados fora de nós . madrugada se avizinha de temperaturas tão nossas conhecidas . pressinto no ar arquejos que produzem inéditos círculos concêntricos: flagro aqui nascimento de nossas interseções plenas em transparência . só, com a chuva que te molha a alma, e em abundância de verdes.ventos . noite traga sonhos de nosso firmamento . outonecemos para o degelo das convenções .


22.04.2013






Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1) FONTE DA IMAGEM - http://livre-e-humano.blogspot.com.br/2008_07_01_archive.html

segunda-feira, 11 de março de 2013

[serenos]




(1)






noite traz outono em seus ventos . recebo rajadas de tempos que nunca serão nossos . partilho folhas que um dia apanharás ao caminho . sopram melodias irrefutáveis que nos alcançam . soltamos palavras coletivas em oceano de violinos . vela, bússola e correnteza saltam firmes de nossos impulsos nada líricos . nem cascata nem leito, somos imperfeitos fios de rio seco . sinto brisa em mudança, calor em saída . aperto mãos de incerteza . luz de teus instintos galopa em meus sentidos mais noturnos . sem brasa, flor.da.pele se arrepia em lembranças . memórias verdes derramam-se em ondas e se aquietam em cada poro . vens, no azul.noite, reclamar presenças (in)temporais . a janela continua aberta em segredo . registro encantos pelo precipitar de cada pingo de chuva compartilhado . pedras remanescentes de nossas veredas tristes ainda ensinam madrugadas suspensas . rarefeitas horas aguardam nossos olhares em busca de outros serenos . frio chega antes, pra nos brindar com banquete de quintessências .


11.03.2013


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) FONTE DA IMAGEM (espirais serenos) - http://www.zazzle.com.br/espirais_serenos_poster-228583836121565437

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

[aqui]





 (1)




vejo e me vês
no inóspito da questão
rumo ao vertiginoso em nós

admito teus pensamentos
antes e sempre
neste amanhã

pombas e drogas
requerem a boca
fechada por dentro

azul.nosso.tempo
incendeia o que há de mais canibal
no insondável que ainda desconhecemos

sem trovões
escolhemos viagem pelas curvas
enevoadas dos lençóis

aqui nos resta o passo sem certezas
sonho.futuro.passado
em torpe correnteza


10/02/2013


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://www.apenasbahia.blogger.com.br/2006_05_01_archive.html
Foto Adenor Gondim

[e.feito poesia]



 (1)




...porque palavras [apenas, amenas] não educam mais
...porque efeitos bonitos, poses internacionais, pronunciamentos [blá.blá.blá] só servem pra continuar a desalinhar povos e tempos
...porque o humano segue cada vez mais o caminho da roça, os velhos livros e discos cantados por Elis são os mesmos e nada é mais do que foi ontem
...porque precisamos de muitaaaaaaaaa poesia nessa vida... quem sabe assim as bombas nucleares sejam feitas unicamente com o propósito de espalhar metáforas e lirismos pra todos os cantos...
...e insistem no 'porque sim', que há tempos ficou mudo e não dá resposta
...resta-nos, quem sabe, a ousadia das palavras vãs, jogadas no ventilador de todos os ventos . quem sabe estas mesmas palavras, muitas.e.juntas.em.profusão, não entupam definitivamente a chaminé de cada fábrica de bombas letais



12.02.2013




Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem -  http://www.bomba-historia.com/2011_02_06_archive.html

[de passarinho]



(1)



saudade da manhã de passarinho . do ar de beijo roubado no portão . da tua questão por minha presença . de nossa poética inventada em segredo . nessa saudade apagam-se as horas entre antes e ontem .


01.12.2011


Andréa do N. Mascarenhas Silva 


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(1) Imagem - http://sondalirica.blogspot.com.br/2012/12/qual-viver-ha-liberdade-se-e-de-sonhos.html

[primavera.verão]


 
 (1)



Primavera renovada em verão
Luzes e flores nas curvas da vida
Felicidade no coração



23.12.2011


Andréa do N. Mascarenhas Silva 

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(1) Imagem - http://lella.files.wordpress.com/2009/06/primavera-verao-outono-inverno-primavera_01.jpg

[primavera azul]


 

  (1)




pétalas voam ao meu redor . sertão me recebe quente . sol inunda meus dias e já chegam em flores . borboletas amarelas carregam o fres[cor] que preciso . madrugada amiga abre-me as horas . sinais, ritos e passagens ensinam-me a contra.mão . recordo o som de tuas auroras brancas e perco a noção que vem do tempo . acordo luas.meninas pra acompanhar meus passos noturnos . registro a sombra de vãos momentos que se querem perdidos em meu esquecimento ainda alerta . abraço a calma que teima em me deixar . sereno espanta o grito indeciso na garganta . acontece que ponho-me em revista assim que descubro medos . quero sempre presença, mesmo disfarçada em atenção distraída . e que seja tua a sentença mais lírica e teimosa até chegar aqui . lerei a vida em teus versos invisíveis e nunca haverá certezas entre nós .



22.09.2012
 


...e eis que ela chega sem nunca ser bastante . estropiada em vermelhos, expropriada em seus verdes, esmigalhada em sua reserva de pétalas . e eis que ela vem, renovada, banhada em novas cores gris, com bandeira/estandarte, com frios e silêncios . eis que ela vem, com sutil delicadeza impõe seus festejos, com marcante diferença, apresenta seus fardos.fátuos . e eis que ela vem, com suas folhas duras em riste, assume a  violência em seus botões, abre.caminhos . vem .

22.09.2018


Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) Imagem - http://www.flickr.com/photos/unaciertamirada/7334800372/

[pouso fugidio]


 
 (1)




inquietudes sem causa rasgam-me agora . deixo tempos correrem ventos verdes . sono mal pago prende meus instintos . acordo em tua ..nossa.. memória . inverter lógicas dá compasso ao tom que queremos germinal . invades.invado madrugadas sujas da matéria.medo que já foi nossa . carrego um sertão em voo sem plano . borboletas amarelas ainda marcam nossos caminhos de levitar . já outras imagens.palavras nos encaram ao longe . sigo .

 


21.12.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva



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 (1) Imagem - http://agentepodiasevernoar.blogspot.com.br/2011_09_01_archive.html

[de um pouco mais que pensar]


 
(1)




emendo dois estados durante a madrugada - acordada e/ou já dentro do sono, penso nas pessoas que fazem interseção em minha vida . eixos de algum modo cruzados e que nos ligam eternamente . fazemos parte de um mesmo arquivo . sigo com elas e cada uma encontra seu espaço em mim . compartilhamos idiossincrasias que não precisam de palavras: são feitas de puro signo que se traduz instantaneamente no espaço que faz conexão com nossos olhares . são como livros prediletos que arrumamos em locais especiais, sempre ao alcance das mãos . precisava conhecê-las e elas a mim . não são todas personae gratae e mesmo assim deixam algum marco que sigo tentando decifrar . umas mais difíceis outras deliciosamente autocolantes . todas absolutamente necessárias . preciso do exercício que me proporcionam, para pensar além das amizades . 





21.12.2012



Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://giovanevita.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html

[Tempo, mudança, passagem...]

 
(1)
 



Eis o ciclo que [re]vivemos sempre... e nos acompanha um rastro de sentimentos impotentes de estarmos fazendo muito pouco. Ao menos sabemos que a água no bico do passarinho ajuda a apagar um incêndio. Assim é nosso trabalho de seres-formiga: diuturnamente trabalhando para dar o bom exemplo em prol de dias cada vez melhores. E façamos do nosso hoje o encontro crativo e perfeito de todos os tempos em um só: nós! Propagamos no corpo tempo.mudança.passagem. Somos exatamente o que queremos ver no mundo. E como almejar mudanças externas se não a realizamos primeiro em nosso jardim interno?! Queremos ver flores?! Sim! Sejamos as semestes dessas flores, soltemos flores não só pela boca e pela mão e um jardim inteiro se materializará a partir de nós.

 

01.01.2013


Andréa do N. Mascarenhas Silva 


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(1) Imagem - http://osoldiario.clicrbs.com.br/sc/noticia/2012/09/tempo-muda-a-partir-desta-terca-feira-no-litoral-3896750.html

[de haveres]

 
(1)




sandálias margeiam horas caídas: nunca foram nossas . depois somos somente pés em mil rabiscos de chão futuro . entretemos saudades sem adeus . haveres sem tempo param nossos dias, sós . mensagens esvoaçantes contam-nos matérias esquecidas . futuros erigem marcos sobre nós e não há medos nesse instante . serenos e madrugadas fazem-nos reféns do lado de fora de qualquer memória que não seja a nossa . som de risco intemporal desperta esse devaneio que agora compartilhamos . havemos . 


20.12.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://nelcycharrone.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

[antes]


 (1)





pelo quase já estivemos unidos . elos sutis . interessam-nos a promessa de nenhuma duração visível . ao lado de um cais azul definimos nossa rota líquida em palavras . em curso desfilam rosas.páginas despetaladas entre nós . livre se faz quimera impossível à guisa do querer . intrépido perde causa egoísta em nome de nós . noite te visita agora em beijo de dia . gosto de ser toma a presença da alma em face da lua . não sinto multidão resumir tua presença . tive medo de tantas tuas lógicas . hoje, poeta, mãos dadas são rastro de nossa certa indecisão perfeita .


18.09.2012 


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem -  https://www.facebook.com/photo.php?fbid=378610602234491&set=a.313803248715227.70476.313769262051959&type=1&theater

[caso]

   (1)





li na distância um passo rente ao ato de surpresa . alcancei segredos sem mais sentidos, sós . ri da barca dos tempos possíveis, em reflexo de insensatez . debaixo da carga de sono vivo mais que gesto impossível . publico palavras estranhas, quase vazias de mim, sem sabê-las de todo . ocaso, meu amigo, zombas deste caso que sonho em tecidura mais.que.imperfeita . restitui tua fala aqui dentro, quase em estado de indecisão e perdida em eus . arrisco um agora na escala de teu sorriso . pensamento intrigante sobe pelas veias até chegar em nossa memória.ventania . somos ser coletivo: prende-nos apenas ar rarefeito do que já sabemos pela pele e só .
 


17.09.2012



Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://falaannunziata.blogspot.com.br/2012/02/muitos-pretextos-te-trara-mente-para.html

[ir]



(1)
estética do porvir ciderada na urgência do instante . entre os passos uma predileção: soltar-se ao vento . na noite perdem-se palavras.livres . entre água e corpo requeiro sensações de momento . ao cheiro de verde.azul desloco minhas ambições de vida . perco versos para o byte sorrateiro, canibal . antes do passo molho também teu estio lírico em franco delírio amoroso, por nós . depois do passo escrevo parte de uma história que já foi sonho . dia sem tempo nos acorda do frio: provamos outras formas de calor para além da pele .


19.09.2012
Andréa do N. Mascarenhas Silva
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(1) FOTO: acervo pessoal.

[pensamento pele]


(1)




paro e a tempestade vem pra ficar . teu olho desliza em mim e causa movimentos indefesos . tarde banha de luz nosso inventário sinestésico . pele em pressentimento de rio . pelo curso dessa falsa calma nos perdemos sós . arremato tua solidão diante de nossa fogueira eterna . firmamos um pacto de pele: olho como boca, mão como passagem secreta, sensação como pedra fundamental . pela horizontalidade de nossos olhos uma cosmogonia se forma irrefutável . vou . e teu.nosso encontro se forma em instância essencial . carregamos na pele nosso infinito .


30.08.2012
 



Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) Imagem - http://dl9.glitter-graphics.net/pub/2596/2596969w35bvlabnn.gif - http://luciamachado31.blogspot.com.br/2011/01/caminhos-travessos.html

[chegadas e partidas]

 
 (1)





solúveis estações por onde passo, esperam por mim entre chuvas e tropeços . aquieto madrugadas gélidas . espero manhãs sem sol dentro da barra do dia . sou passagem em desalinho . não sei se fico e por pouco esqueço que vou . trânsitos me fazem companhia . atravesso marcas e sons em tempos de claridade . faço amarras que deixo soltas no curso de cada estrada . impeço rota de se contaminar em fios destoantes . quero chegadas e partidas na curva de dentro . outros ventos nosssos .


27.08.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://oorvalhodofimdomedo.blogspot.com.br/2012/11/olhares-de-outono-ou-o-que-as-outras.html - fotografia de eurico portugal.

[oração]


   (1)




praia daquele dia valsava com o mar. entre melodias de vento soltei meus lamentos. desobedeci lógicas caducas de pés molhados. areia me ensinou dito certeiro. acostumei vista e paisagem a nunca duvidar de inóspita ligação. entre nós haverá sempre um segredo prestes a se revelar. tempo que nos rodeia se faz de infinito.


27.03.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva



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(1) Imagem - http://contos-trocados.blogspot.com.br/2011/04/valsa.html

[o famoso pássaro azul]


 (1)



       (2)




MEU TEMPO [o famoso pássaro azul, da tua mão, poeta, aos meus olhos . sem abandonos em seu peito ou em meu sonho . sem máscaras ou maldade no instante sublime entre nosso olhar . medo ou engano nos ajudam a rir da dor que não mais sentimos . faces ao vento, soltamos pássaros rumo ao infinito só nosso]


TEMPO 3 [o famoso pássaro azul, na mão do poeta e nos olhos da passante . elaborarão abandonos, ele no peito e ela no sonho . despirão as máscaras da maldade no instante entre seus olhos . quererão o medo ao engano e rirão da dor que não sentirão . amarrarão as máscaras e soltarão seus pássaros rumo ao infinito de cada um]

TEMPO 2 [o famoso pássaro azul, na mão do poeta e nos olhos da passante . elaboram abandonos, ele no peito e ela no sonho . despem as máscaras da maldade no instante entre seus olhos . querem o medo ao engano e riem da dor que não sentem . amarram as máscaras e soltam seus pássaros rumo ao infinito de cada um]


[o famoso pássaro azul, na mão do poeta e nos olhos da passante . elaboraram abandonos, ele no peito e ela no sonho . despiram as marcas da maldade no exato instante entre seus olhos . queriam o medo ao engano e sorriam da dor não sentida . amarraram as máscaras e soltaram seus pássaros rumo ao infinito de cada um .



16.08.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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(1) Imagem - http://oabsurdista.blogspot.com.br/2012/08/passaro-azul-charles-bukowski.html
(2) Imagem - http://seusuperego.wordpress.com/2011/11/22/bluebird/

[Pétala]

 (1)




manhã em que viajam meus azuis pra perto de mim . hoje que engana memória do sono . tua lembrança chega como carinho na face . trago soluço enfeitiçado por tuas palavras . devia ter escapado quando te dei um primeiro abraço quase burocrático: não .  


17.06.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) Imagem - http://ancoraseasas.blogspot.com.br/2010/11/reinvencoes.html

[lírio]



































 (1)




um lírio sobre a rua . quase um redemoinho de ideias . quase um abismo lírico . pedras sorrateiras... ontem amigas . sombras que volteiam os restos de meus sorrisos . o inverso... de que preciso .


17.11.2011


Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) Imagem - http://naftalina55.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

[rasa interseção]







































 (1)

 
quase chão . sobre o riso que trocamos com a lua e antes do espetáculo solar que te anima . do argueiro que fere também nossos olhos ao rastro feito de saudades e distâncias entre nós . cortamos o mundo em paralelos azuis . agora vivemos raro instante: simplesmente deixou de existir pra nós "o espaço que deixa o nada" cada vez mais próximo . resta-nos existência plena, jamais esvaziada em marco zero que não seja o nosso . sem saber, preenchemos nossos tempos-espaços . 


22.12.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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 (1) FONTE da imagem - http://pensamentoseespiritualidade.blogspot.com.br/2007_11_01_archive.html

terça-feira, 20 de novembro de 2012

[eu.entrecho]




  (1)



evanescente



..luz do tempo que urge resoluto, a travar batalha conosco..
império de agoras
e horas quase perdidas



sou só um mero entrecho
por onde passam
e me desgovernam
tempos vários
destituídos de manhãs
ou pássaros
que deveriam
ao menos
reger
meus arquivos



interseções



e o canto se perde
ao encontro
inevitável
de tuas seções
e bibliotecas
decididamente
ligadas a mim



caminhos nos levam
a memórias compartilhadas
onde a cada olhar
sozinho
ou coletivo
uma página de nossos sonhos
vai sendo escrita
no tempo do verbo
sempre presente


20.11.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) IMAGEM - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihl5IKgz0OAdENyogjnzSCwLmGRfLw_IqzmKQEoXOw7SrbPXHDj8Zt7Gzl4UxCRB14Lw6NlKrytpfSXsebj9qZ2FISee5hyphenhyphenSBc5-sfYme74U8V5w8ho9Fo6cu_-8rqgP75KufDXpAwff7-/s1600/reeds_by_durdenyr-d3cz85b.jpg

sábado, 17 de novembro de 2012

[estrelas despem azuis]


 
(1)
 
 
 
 
teu palco me espera em sombra
compasso de madrugada
essa e hoje


cantam pássaros em tuas manhãs
menos torpes do que ontem e
sê inteiro em riso

aura rebrilha saudade

destemperada por longe

curva se faz continental
ter um gira.mundo
resolve-me tarde

e sem tempo
revolto-me a esquecer
contornos de angústia

estrelas emprestam cores
suas, todas
de mim só azuis

 
 
09.10.2012

 
Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva
 
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(1) FOTO: acervo particular.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

[se]











 (1)
[se] se pudesses ver do lado de cá . há pouco para conhecer que já não saibas . se e sempre, maresia e dissabor . e se longe nos mostra todo dia, não tenho medo de distâncias . e se vivemos de marco.zero na memória, assim lembramos em denominador comum . se ao mar nos damos como destino temporário, resta-nos a sombra dos opúsculos desavisados . nossos reinos habitam tempos de paz e somente cabem em nosso peito . paira nesse ar de byte... rotos sons, soluços velhos, sandices já mortas de saudade . apagas a empáfia de sorrisos falsos . jaz em luz teu abandono por causas enraizadas . requeiro mão insurgente na qual plantei sementes de impossível .
13.11.2012
Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva
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(1) Imagem - http://belladecastro.blogspot.com.br/2010_10_01_archive.html

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

[DO FALSO] - microconto

















(1)





Como podia! Indigna-se! Terá o que tanto sonha, mas... Joga-a sobre a cama impecável. Nesse ponto, combinação perfeita, como se ambas estivessem sempre prontas: dos lençóis à roupa íntima. Tudo pronto há anos. Não podia negar o contentamento. Nas faces a trama casa com uma cor de falso pudor. Desfaz-se das roupas em um instante. Não importam. Passo a mão sobre o ventre com indescritível sentimento. Penso nessa sensação e imagino-a em outro contexto. Sinto o que deveria ter realmente acontecido e me vem involuntário alívio. Tiro do bolso um saquinho e derramo sobre ela todas as moedas. Ato lento, carregado, com atmosfera inédita até ali. Qual de nós seria capaz de esquecer aquela rara beleza, de temporalidade como que suspensa. Cintilância feito chuva dá ao momento um quê de mágica e espetáculo. Em um lapso de segundo os olhos de ambos permanecem ligados e chispam. Cada um a seu modo expressa o que é possível. Eles, nós e a perplexidade.



24.10.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) IMAGEM: http://deusnomeuviver.blogspot.com.br/2012/04/o-exemplo.html

terça-feira, 25 de setembro de 2012

[avesso de um relicário]





(1)







noite . calçada molhada pelo mesmo orvalho que umedece as manhãs . neblina estacionada diante do nariz . coreto se faz testemunha da madrugada que chega . cidade adormecida sobre sonhos . pés desgovernados se perdem em poucos caminhos . lágrima sem esperança encontra o chão . sob a copa das árvores sombras espreitam sofrimento . janelas se fecham discretamente . ao longe o galo anuncia aurora . primeiras luzes rasgam o tempo que nasce mais uma vez em dia . vestidos longos carregam e derramam segredos de cada dama apressada . xales escorregam e são contidos antes de despirem sentimentos .




25.09.2012



Andréa do N. Mascarenhas Silva





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(1) Imagem - Aquarela de António Cruz: "Jardim de S. Lázaro" - disponível em <http://fotos.sapo.pt/jorgefiel/fotos/?uid=wJSNwog6lyet8G2nicoT#grande>

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[limos velhos]

  (1)






[limos velhos] apressados estes passos que nos ultrapassam . levezas incertas nos erram no precipitar das manhãs . alcunha de pseudos dias azuis . franco desinteresse pelo caminho . raro.efeito repentino de te saber por perto . úmida vertigem desavisada que entra em nós . de papo pro ar nessa certeza pouco fluida . sem corpo definido pra cair nessa quimera só nossa . pouco espaço de palco e somente ensaiamos destinos . alumbramentos diuturnos a nos lembrar futuros . cargas intemporais são nossas heranças coletivas . no paço, na quinta, no solar sempre nos encontraremos, apesar dos tempos . almas alhures, aquém, entre.mar . estremecemos ante o calor daquela aurora certeira e que já nos acha preparados ao instante eternizado no olhar . sombra nos acolhe: madrugada . espelho nos consome: universo inteiro . ritos quedam desenganados: somos mais e o entrelace se faz certeza de imensidão .


06.09.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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sábado, 11 de agosto de 2012

[de olhos e distâncias]





(1)



carrego a paz de teus olhos congelados no instante do byte . universo possível . combinas muito bem fogo e frio à revelia da diferença . tua presença me alcança em voo silencioso com a noite . a distância prepara nosso tapete de estrelas, onde nos damos ao sabor dos ventos de ontem . tempo e passado não nos separam, como pensam e querem razão e espantos . vejo e me vês, sinto e me sentes impossivelmente, como vaticina esta palavra.nascente, caudalosa e quente como nosso peito no mais exato desse agora .



31.07.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: http://coreseoutrosamores.blogspot.com.br/

[de cegueiras e proximidades]

(1)


sim, teço instantes que não quero tangíveis . se bastam e me bastam se forem entre, ao redor, nas proximidades que me endereçam a ti . não sei se é preciso ser cego pra aprender a tatear outros sentidos . longe também se vê de olhos fechados . pela atmosfera do silêncio que emanas sou tocada . aprecio um cuidado amputado de gestos e ainda assim capaz de ultrapassar o tempo imposto . exalas presença mesmo na palavra técnica, no caminho que escolhes pra não coincidir exatamente, na indireta que ricocheteia e me acerta em cheio à tua revelia . não preciso de palavras líricas pra (re)conhecer teus sentidos: marejam por teus olhos e neles sou sereia indecisa . escolho o mar entre nós em que não se faz preciso ver pra confirmar presença .



01.08.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) Foto: acervo particular da autora.

[universo quase]

(1)


de um lapso fazemos quimera . deixamos de trocar palavras constantes pra nos darmos ao olhar enviesado . já convencionamos nosso tempo particular . parece que nos contentamos com menos . não, já nos supre a abundância sinestésica que inventamos . elementar interpretação de nós não nos desvenda . vivemos um mistério em paralelo . à pouca luz, viajamos por outro escuro . sem pressa, fazemos nossa hora implodir dias rasos . quase ou pouco mais que nada nos rende universo só nosso . perto-longe, tanto faz: somos pele sensitiva à distância, arrepiada sob a expectativa de um pensamento simultâneo, de um coração à espreita e já não mais solitário . mira da tua janela o luar: o mesmo que agora recolhe nossos sentidos soltos ao vento .


04.08.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1) FONTE DA IMAGEM: http://meumodestouniverso.blogspot.com.br/2011/02/quase-nada.html

[jardins do meu sertão]

 


(1)


olhos pastam no verde da paisagem . do alto, a colina se mostra garbosa, com orgulho da vista que presenteia . passantes derramam flores que colorem suas saias e o chão vira outro . barrigudas floreiam de branco o pouco cinza que teima em aparecer ao longe . amarelos e azuis pintam encostas . estradas de chão dividem espaço com abundância de pedras e rico matiz de verde.pasto . carcaças de gado morto ficam esquecidas no chão onde a alegria vem se derramando em águas, lágrimas e chuvas . ouço a música da correnteza que já vem forrando o leito dos fios de rio . menina já brinca com os cabelos de milho em forma de boneca . jardins de meu sertão, retrato solto no rastro da imensidão .



06.08.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: http://jorgebichuetti.blogspot.com.br/2011/01/diario-de-bordo-rosa-do-rosa.html

[miniconto] SAGA

 


 
(1)



SAGA I - ENTRE NÃO SEI E SEI ...uma vez era inversão e pouco, ficou sendo sem querer para um tempo que não se mede . mudar, formar, ousar, eram outros ao cabo de si mesmos . pares, intelectuais talhados nas ondas do dion . vida e rumo diferentes .


Saga II - ENTRE FARPAS E DELICADEZAS ...reza a lenda que o amor continuou a reinar, "calmo e lépido", lá pr'as bandas de Monte Santo, incrustado nas rochas que ainda se chamam coração...



07.08.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=48&with_photo_id=39588677&order=date_desc&user=3593361
FOTO DE: Jorge LN - Neblina no alto da serra (Monte Santo-BA) - direitos do autor.

[impacto]




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resisto ao ar que me abala . caminho por estrada estreita sem vislumbrar atalhos . vai solto meu sorriso, deslocado, na rabiola de teus azuis . sei de outros tempos, da ronda de nosso carrossel que ainda volteia na memória . durmo.acordo à sombra de um paraíso talhado em tempo mais que perfeito . nosso coletivo se impõe mais do que a hora rarefeita em que nos vemos agora . salto em movimento antes de esquecer a sensação de nós que ainda reina em nosso entre.tempo .


10.08.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) FONTE DA IMAGEM: http://cynthiamadonnita.files.wordpress.com/2011/10/2052225-3005-rec.jpg

segunda-feira, 23 de julho de 2012

[nascimento de azuis]



 (1)




| nascimento de azuis |



.atmosfera

cálida nostalgia de um quase dia  
lembrança de retratos anteriores  
luz rarefeita: paisagem

.enredo

vestido crescido, molhado
luz menina em pele fria
cor de areia sem contraste
parca luminosidade ou sol prestes a nascer

.conflito

passos acelerados
ausência de causa
vibrante coração vazio

.prece:

aurora pressente grito

.desfecho

espetáculo-luz
ensaio e
tímido bailado
espelho d’água e/ou céu

.sentimento

antes do cinza
intenso dourado e
teus azuis ofuscados

: dilema





(versão atualizada em 25/07/2018)


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.atmosfera.

cálida nostalgia de um quase dia . lembrança de retratos anteriores . luz rarefeita pela paisagem .



.enredo.

pelo vestido crescido e molhado deixava passar luz menina . pele fria se confundia com a cor da areia sem contraste . faltava a luminosidade do sol prestes a nascer .



.conflito.

passos acelerados sem causa . coração vibrante em meio a tanto vazio . prece e aurora pressentem seu grito .



.desfecho.

espetáculo de luzes ensaiam tímido bailado entre espelho d’água e céu .



.sentimento.

deixar de ser cinza pra ser intenso dourado e ofuscar teus azuis . dilema .





23.07.2012

 
 
Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva
 
 
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