domingo, 27 de maio de 2012

casinha



(1)




arretalhar as brisas. por pra secar lágrimas no varal. esquecer-me na tarde. estrada que dá em lugar nenhum. ei, procure aí teu coração. fonte do amanhecer nunca nos faz distantes. cheiro de dia e mato trota por nossas retinas. engasto um descalabro pra se perder na imensidão. jogo memória inútil pra morrer antes que me lembre. nem bucólica nem triste, faço morada no insólito. acordo, eu e o tempo, apesar do sono. no entre.tempo escolho morada .

27.03.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]



(1) Imagem - http://moriana.blogspot.com.br/2007_06_01_archive.html

sábado, 26 de maio de 2012

quase manhã


(1)




segredos que guardei resultaram inúteis . borboleta reverbera teus poemas até mim . enquanto isso esqueço o pranto já seco . miragem tua desfaço em verdade . porque sei e sei que ter você requer efetivo exercício de alteridade . passarinho tece manhã com tua sonata mais verde e cá estou orvalhada por nossa estação mais lírica .

19.05.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) Imagem: http://carva1.files.wordpress.com/2012/01/solitaria11.jpg

quinta-feira, 24 de maio de 2012

QUÍMICA



(1)



noite profunda que te veste com todos os tons do impossível . CÁRCERE sem cor que jamais te prende por completo . fios transparentes promovem outras conexões livres . há janelas pintadas em cor de água em teus olhos . tua alma anda vestida sempre de flores . não há grilhões no pensamento . viestes ao mundo com asas e estas só estão feridas e podadas: sempre há vagas no hospital da imaginação . com química aprendestes a despir razão . com luta e bandeira fostes mais que militante . já plantastes a árvore com que chegarás ao céu que idealizastes . agora, em inexato instante, escreves uma página em livro possível que somente você pode intitular: escuta as palmas do reconhecimento .
 

18.05.2012 - para CHVS


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFuhfpVHmp9XIO4sCTK9oeCbVDGwN7OolCokW_lO-z5x8IyPys_orOcFkJpR7lmbjafFRqkITsaBHoa0kBeH8qIJG_kFwp-U3kJZ5cJS5EYgwxb4uc9x2ZMk96vK-M5Gz6-8PwRsmb3cQ/s400/218865%5B1%5D.jpg

segunda-feira, 21 de maio de 2012

frio


(1)




recorro ao frio que me despe da pele que quase ninguém vê . sentimento difuso amarga a boca e também desfaz imagem branca de você . esqueço que sei ter menos do que sonho . não importa, trato a lida com perseverança . nossa areia está sempre renovada com novos sal, passos e águas . estalo os dedos pra lembrar daquele amanhecer . viagem desencontrada se prepara pra outras tentativas e itinerários em uma de nossas rotas possíveis . estamos no desafio que um dia tracei sozinha e à tua revelia . por aqui te entrego o mapa das terras improváveis, quem sabe pra despertar a coragem que já não cultivas como antes . fechas a porta ao bardo audacioso em nome do código de mil nomes, da regra imposta por alguém e de tantas etiquetas que já talham teu espírito em veste quase eterna, se quiseres . falo do instante que te convoca, mas que não te permites viver e construir ao mesmo tempo . não precisas da palavra jogada ao vento e sim da que podes oferecer a este ser lírico em que me converto agora . lembro mais uma vez que os desafios não se ajustam exatamente ao que se pede: vão além, sempre . tocas a imensidão sem querer, imagine quando quiseres com cada força que te anima . esqueces o ouvido e a voz alheia pra poder fazer ecoar um cântico novo, insurgente na medida exata do que ainda não foi pensado, pronto pra abalar e fazer emudecer os que se deixam conduzir por protocolos pintados de cinza . as vezes dizemos sim, em igualdade de grandeza, ao totem que nos quer menores e de preferência perplexos .



21.05.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) http://closure-of-the-soul.blogspot.com.br/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

[atalho]‏



(1)





a caneta em tua mão entalha gesto que te despe em processo . por inteiro um poema solta teus grilhões . encontro caminhos em teus olhos de papel sem resistência . apoio a vista em tua visada quase verde.mel . mão teimosa e que me cede um bailado sem rima e que me basta . pequeno rumo que se abre em levezas nossas . instância inebriada de nossos sonhos perdidos: não cabem mais em nós . rabisco um convite que segue em nosso percurso de olhar .


09 e 10.05.2012
 
 
Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva
 
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(1) https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUNULUOYfeVckVi_dPzymtWCW5_sy1rJJGWAnWQblbFHNaNo2q2jFAXFYpdiE1-oHNZBGSx4sy6JV6SSJ-6fCK9jssnBWwm41jmTbadFUq0KD6bEDAdPu_DyS13InUKm1Apdd1a2x1o8I/s1600/DSC07739.JPG

segunda-feira, 7 de maio de 2012

[encontro de levezas]




(1)


no meio do caminho [...] encontro de levezas, rastro tímido de você . escuto a tristeza e ela tem sempre razão . quando não dou trela pra tal ou qual sentido, sinto a perna do tempo antes da queda . vou ao amanhecer rumo no teu encontro, espera . nem que a cor seja impossível ou que o tom ainda não tenha nascido, inventa-me aí, na própria construção de ti . reescrevo o chão que ainda não ouso pisar em tua estrada mais comum . vejo alguns erros propositais e a menina que ainda cresce . volteio em teus pensamentos com uma imagem minha: nela sei . estreito lapso que te trai e me convida ao banquete do que queres mais profundamente . amacio tuas dores, não por mim, e pelo rumo da neblina faço tramas de luz . alicio o vago sentido que me leva a você . sim, quero subverter tantas ordens já loucas, perdidas ad infinitum . pra que servem se não nos servem . meus princípios estão turvos do tempo que já nasce . amanhã já me visita hoje, com você, em seu melhor azul .


26.04.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) http://arquiteturanasintese.blogspot.com.br/2012/01/mercado-municipal-adolpho-lisboa-em.html


segunda-feira, 30 de abril de 2012

[enlaces de espelho]

(1)




urge o tempo desse agora . neblina se quer tênue ante meus olhos . passeio nos espera em madrugada próxima . criamos uma arquitetura sensitiva que nos completa em interseções insuspeitas . miramos o mesmo espelho e nos queremos liricamente, sem choques . mágica dessa hora nos arrebata para algo indefinido, ainda não nomeado, capaz de existir entre um segredo e um facho de maravilha . criamos encontros tão visíveis quanto sequer imaginados . habitamos as vias esquecidas da humanidade: cidade mais linda ao amanhecer de nossos sonhos . deixamos rastros de propósito, no dorso da liberdade . temos alvará de consentimentos que nos garante zerar os sofrimentos no caminho do deleite possível . fazemos da poesia uma esfera viajante . nômades, erramos ao extinto fim da jornada . cambiantes, fazemos acordos com nossos devaneios, para sermos capazes de existir ao menos duplamente . versos conspiram ao nosso redor, ao revelarem ao mundo nítidos reflexos das melodias que nos alçam ao nosso panteão particular . desafio quebrado pelo tempo burocrático agora ousa ser refeito . instantes eclipsados por nossos tempos domados se sujeitam a cada nova hora inventada entre nossos olhos . intervalos sinestésicos habitam nosso sono e assim sentimos o sussurrar de nossos corpos distantes, como que unidos na dimensão que somente se abre pra nós . elencar o impossível já vivido causa-me ânsias de infinito e falta-me o ar deliciosamente . imaginar se faz pele a pele, falsa distância . ficamos cada vez mais próximos quanto mais o tempo nos propõe quimera de espelho . valsam aromas nos bailes de nossa palavra sentida, que nos imprimem toques mais firmes que os reais . levitar está na condição da constância quando abrimos a hora das reinações sensitivas . no apelo de tuas mãos disfarçadas gestos escorrem sorrateiros, finos gatunos de meus princípios . com mar e saudade regemos tons em nossa prosa . agora inauguramos esse gênero sem.nome que já nasce invertido, despolarizado, em meio as leis que não toleram gênese insurgente .


30.04.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) FOTO: http://www.flickr.com/photos/gustavocarvalho/2415519456/in/faves-fatimapedote/


domingo, 22 de abril de 2012

[...sílabas da noite .

(1)





[...sílabas da noite . azuis, completam voo em teu espírito . mesclam-se em outras naturezas, como a entorpecer sinas reinantes . pétalas esvoaçam em meio a teus anelos molhados em prata . neblina de madrugada, elege flores que só poderão voar entre nossos olhos . sim..., há espinhos nesse enlevo mal dissimulado . em banho de pouca luz encontro um lago de plenos sorrisos teus : esperam por minha face mais branda, ainda úmida da neblina triste . não há frio nesse instante . mero desafio, corre em paralelo a duvidar do que ainda posso nesse estio . sim, são azuis nossas frágeis poesias e reinam em cada pouso .]


22.04.2012



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva


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(1) FOTO: Miscelânea (Via Facebook - <https://www.facebook.com/media/set/?set=a.169560259773261.46010.157842324278388&type=3#!/photo.php?fbid=339709006091718&set=a.169560259773261.46010.157842324278388&type=3&theater>)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

[...chuva]




















(1)



[...] e a chuva cai, pra apagar nossa secura, pra molhar nossos olhos distantes, pra deixar nosso pesar mais leve .
[...] por entre o frescor da noite que quase não me cabe, vem chuva, alargar os córregos, despertar caudaloso pranto incontido .
[...] o presente dói e me espreita, molhado por tuas gotas incansáveis e do quarto ouço um soluço que agora sei/sai, solto no vácuo, ao encontro de ti .
[...] luz e eco desencontrados no triste lamaçal de tua esperança, cansada de perder e ser empurrada diuturnamente aos precipícios .
. descalça, encontro a noite já em tuas luas, a desfazer antigos nós .
Itinerante e mais, por bem pouco, errante [...]

chega estação despetalada, imprecisa entre sonatas azuis, mal quista

reitero nossos contornos apenas esboçados entre nossas pegadas

noite, encanto de algum passado que me absorve inteira e vem ter comigo, de mãos postas à face

rasgo um silêncio de angústia e na esquina vejo teu lirismo estacionado

não.sei.se.sei.mais entrever teus feitiços

e acabo em mim um quê de intenso, um ai raivoso, um tique cansado

obsoleta e de frágil vilania, aperto a sombra sob um arco de sono


. reinações de meu nariz, nem tanto impertinente quanto a arqueologia que espia

. pálida calma que me espanta, vem, acena à noite, estende os braços ao redor dessa distância

aceito sim e não, desde que bem resolvidos, desprovidos de transcendência

. faço um ponto mas sou da interseção e reticência .


18.04.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) http://29.media.tumblr.com/tumblr_lxbw07bMfX1qdopmvo1_1280.jpg

terça-feira, 10 de abril de 2012

[devaneio esgarçado]

(1)



escrevo no limite da sensatez . busco outras lógicas, também a tua . leio um velho desafio e nos encontramos em outra esfera . largo a ordem antes do amanhecer e um pouco antes de sonhar uma vez mais . descalça, sinto o frio de uma passagem rumo aquele tempo . tempos me rodeiam feito interseção . calculo um lapso de instante em que teu sorriso conspira com teus olhos: nem tão puros quanto desconfiados . sinto teu olhar mesmo ao longe, a ativar tuas.nossas brechas de contato . não sinto a distância quando sei que a condição que nos vale passa por dentro . aí estamos juntos, no entrecho intemporal construído pela mais fina arquitetura de gestos . valso cantiga de alegria que se faz nesse sertão já úmido, advinhando nossa sina . à luz de um lume fraco.fosco paro e paira em suspenso tua presença: nem assombro nem rima . escrevo este devaneio por nossos corpos .

10.04.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

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(1) https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7JL8K0_VPM18A4CSgKHz7pVaZfwB8O_CoCxUKivX7gz04PWYXE-Puzu7XvGMGKRqPfJIeEQbofFBac3eBZsXfoCrsO6WvzMyI9ze_X36g4gP4m50w-bFg_RRDuHTv8iS7TJe_pN_a-pgL/s1600-h/escrevo-te[1].jpg

quarta-feira, 4 de abril de 2012

[ bailarina de circo ]

 (1)







lembrei de uma bailarina. história que passou por mim, sorrateira. nasceu no circo, Anabele. vida era sinônimo de circo. não conheceu outras alegrias, só a da fantasia diária. acordava entre tules, meias tipo arrastão, sapatilhas que um dia tiveram brilho de cetim. ofício passado de mãe pra filha, hoje registrado na última foto amarelecida, torta, posta contra o espelho. sua mãe, Anaelis, poderia atravessar aquela barreira de espaço e tempo a qualquer hora: fugira anos atrás por motivos desconhecidos. no presente, quando tudo ia bem, o trabalho acompanhava a mudança: cidade a cidade (as vezes repetidas), animais alimentados, pagamento minguado, mas em dia. poucas novidades, apesar da aparente impressão de que a cada nova paragem algo inusitado poderia surpreender a todos. Anabele sempre confiava: algum dia poderia ser surpreendida. aos quase 20 anos a tristeza foi a causa da quebra de rotina não só em sua vida. encontraram dois cavalos e o único leão do circo brutalmente mortos, àquela manhã. notícias assim correm rápido: da boca aos ouvidos e destes para o jornal e rádios da região. sem esclarecimentos, o público minguava a cada tentativa de espetáculo. alvo de um afã de loucura, Anabele foi convocada para ser a atração principal das próximas noites: corda bamba sem redes... nunca um número daqueles foi sequer cogitado. passou a tarde trancada, apenas com a pequena janela aberta. cortina se balançava ao passar da brisa. uma borboleta furta-cor arriscou um pouso em meio ao balanço do paninho trêmulo. em plena vertical alçou voo para a árvore em frente. escalou folhas, galhos e enfrentou outros ventos. de volta à janela, Anabele acompanhou de perto o matiz daquelas asas e não se surpreendeu com novo voo, não antes de um instante de encantamento mútuo. por um momento, esqueceu o desafio quase mortal que a aguardava. vestiu-se para uma ocasião especial como nunca ocorrera. os companheiros de circo notaram os detalhes não costumeiros que Anabele adicionara ao seu traje. a bailarina se dirigiu para o mastro e venceu a distância até o topo sem demonstrar o que se passava em seu íntimo. cumpriu todos os chamados do mestre de cerimônia, o dono do circo, em função de chamar a atenção do pequeno público que ali se encontrava para ver a façanha de Anabele, número sequer ensaiado. os pensamentos do mestre eram um só turbilhão: com aquela performance nunca antes arriscada quem sabe nos próximos dias a normalidade voltaria a reinar no circo. a borboleta da tarde voltou à cena: voava nos pensamentos da bailarina, que seguiu seu equilíbrio interior e, quase sem perceber, cumpriu o percurso desprotegido entre os mastros principais. arriscou-se em horizonte abissal, pois só via a rota vertical da borboleta. desceu em meio aos aplausos. a euforia desproporcionalmente maior do que o número de presentes serviu de manto à sua passagem de volta aos bastidores do circo. o mestre não pode interferir, uma vez que o andamento da ação foi melhor do que esperava. o escuro da noite foi seu cúmplice no último espetáculo de sua vida circense. em sua curta história, mais uma vez a fuga era caminho. ao final de cinco quarteirões a luz de um letreiro iluminou sua figura. bateu à porta de um antigo e ainda elegante teatro e foi recebida por um senhor. gravata borboleta, suspensórios e um sim como resposta. Anabele: primeira bailarina e professora do balé escola do Theatro d’ Aramis que, àquela manhã, havia enterrado sua grande mestra: Anaelis...


28/02/2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) FONTE DA FOTO - http://meme.yahoo.com/tina20/p/zGxmcaG/

[miragem]














(1)


espelho de insensatez mal colore minhas imagens tuas
ausência dói, distância teima e apaga olhares
tenho o alento do céu.testemunha

madrigais invadem meus sentidos
nossa polifonia não se quer muda
as pedras tristes hoje estão molhadas... choro de chuva

arranho uma exclamação feliz
por entre teus pensamentos inconfessos
sei estar em ti e pronto!

contemplo minha presença - só
este céu cinza ontem mesmo trajava-se com colorido arco
respeito meus momentos sem cor

poesia que mora em mim mal conheço
vive escondida no prédio da memória
toma sol, clarão de lua e bebe o cheiro de meu chá

chuva e cinza combinam mistérios que conhecemos bem
escondo minhas palavras sonolentas em frias madrugadas
mais ainda teço líricas pra você

12/12/2010


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



=)

SSA, 10/11/2009

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(1) FOTO: Acervo pessoal.
Poema publicado originalmente no Meme/yahoo em 12 de dezembro de 2010.

terça-feira, 3 de abril de 2012

[navegamos]

(1)




estreitos sentidos, cinco ou seis . marés sem jeito de ir e vir . somos três vendavais de mãos dadas e mal sabemos . insanos na ventania, loucos por dentro . comunicação quebrada mesmo assim nos conecta para algumas viagens . chuva nos alenta antes dos lençóis . na manhã de cada santo.sonho acordamos ao som de passarinhos . sob o sol, esquecemos de nós . nosso elo não é somente de ligação . nossa tríade forma um quinteto elevado à decima nota . nem sempre somos tristes ou mágoa . deitamos juntos.separados e no delírio encontramos uma torpe explicação .

03.04.2012

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) http://adrianatribal.files.wordpress.com/2011/05/desejo-chuva005.jpg

segunda-feira, 2 de abril de 2012

estrela sem anel






(1)




estrelas rondam a noite em que embarco . um palco formam pra me ver . noite no sertão que já toma outros ares, sobretudo por um frio de saudade . céu como rastro de sonhos que se perdem de nós . não há escadas para alcançá-los . escuro traga um pó de desatino . há devaneios soltos e dou graças por serem amigos: são como almofadas infinitamente fofas em que me deito e sou sonho . madrugada, minha cidade, espera..., vou contigo pelos sinais invisíveis aos quase tolos . réstia e sombra .

30.03.12


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]

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(1) http://nervosa-san.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html







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(2)


oração



praia daquele dia valsava com o mar. entre melodias de vento soltei meus lamentos. desobedeci lógicas caducas de pés molhados. areia me ensinou dito certeiro. acostumei vista e paisagem a nunca duvidar de inóspita ligação. entre nós haverá sempre um segredo prestes a se revelar. tempo que nos rodeia se faz de infinito.



27.03.2012



[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]

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(2) http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/2009/07/

quinta-feira, 22 de março de 2012

reino


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PARTE I - maio vinha montado no frio . embarcações seguiam em comboio a rota costeira, em temor dos mitos marítimos . salvaguardas de vidas, almas errantes, rostos por chão . a cada golfada de vento estremeciam os corações tripulantes . madrugada não se deixava vencer pela barra do dia, insistente . sem escapatória, o imprevisto já demarcava seu território . gritos, atropelos, som de corpos chocando-se contra o mar...


PARTE II - uma nuvem medonha tingida de cinza.chumbo ladeando a rocha negra daquela enseada já era imagem tenebrosa o bastante para criar um monstro . uns juram conhecer as multifaces do deus vingador . outros vêem apenas as imagens criadas pela fabulação alheia . outros ainda fingem ver o que não viram com veemência .

15.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://beautyfase.blogspot.com.br/2007_04_01_archive.html

tangente


(1)




com vírgulas escrevo outros dias . não há lágrimas nesses olhos escuros . réstias de um quase cedo desperdício . lua vem valsar com o frio ao meu redor . marcas de nosso pensamento levantam no ar . lembrar não faz só bem, há um quê de elementar nesse movimento quase involuntário . palavras difíceis gostam de mim e quase nunca há tempo pra esse diálogo . penso no improvável como um exercício caro e necessário . quero tocar qualquer âmago e senti-lo também meu, como se fosse em mim . não há porta a sair .


20.03.2012


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://panelinha.ig.com.br/site_novo/meuBlog/rita--945?PHPSESSID=89244a5bad8072780d583702229f2b4c

terça-feira, 20 de março de 2012

outonos

 


(1)



por debaixo de quase abril suspeito das tardes . flauta que toca ao longe traz melodias de vento arredio . sonatas ao horizonte atiçam sentidos e folhas quase tristes . já há cores esquecidas na memória . árvores nos espreitam em tramas de piquenique . nem alvos nem cinzentos, cantam pássaros nada tímidos . tua meiguice combina com esse tempo singelo, tingido de passado . ouço o que move as batidas de teu coração e não me surpreendo com as imagens que formam em mim, somente .

20.03.2012



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) http://sumartins.files.wordpress.com/2010/06/image5.png

passarinho



(1)


à tarde, ouvi teu canto da minha janela . estirei a mão e lá se foi meu pensamento passear em outra tarde.espaço.sertão . dentro da vida... uma asa quebrada . dentro da noite... uma alma sem par . dentro do peito... um canto rouco . anoitece e tua existência chega até mim por notas e sintonias . somos tocados pela toada que habita nosso (só nosso) céu . ligados pela sinestesia, nossa irmã . ai de mim se não fosse nossa ponte feita do concreto.pensamento .

16.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) http://www.flickr.com/photos/vanpad/6278121676/ - by Vanessa Padilha

rua


(1)



quero escrever poucas palavras e vê-las cair, pétalas jogadas . estremecer com tuas metáforas, qual frio de mar . saio e a rua não me desfaz em modernosa simplicidade . respiro e nunca esqueço um sonho de futuro . sinto um pé.de.quê prestes a romper a luz de minhas retinas . amanhã já nasce mais regada à essência que emanas quase em sonho . nada tem fim .

27.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1)

mar de rio


(1)



frio a veranear em meu poente . brisa sem fresca equidistante . sopro em vapor passeia-me verticalmente . entre seria um bom nome para meu mundo . rasuras não me preocupam quando há mais pela janela . imprecisão combina com minhas cheias e estios . músicas enchem minhas salas de baile . versos descasados flutuam e ultrapassam meu telhado de palha . nas portas entalho rimas mancas . infinitas estações navegam junto a mim . iara em tom de verde.limo me espera para um instante a mais de encantamento .

26.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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 (1) http://pitangadoce.blogspot.com.br/2011/08/o-amor-e-grande-e-cabe-nesta-janela.html

doce discordância




(1)



doce discordância. dia em que trago nos sentidos um azedo de amora . inimaginável, vago pelo doce amargo das impossibilidades . aprendo um teorema a cada derrota previsível . não quero o plausível . na ausência do impossível não fio meu credo . antes quebrar um sonho do que apenas reunir os que já existem . nem margem nem centro me contentam: sou das lateralidades aptas a serem inventadas . ânsia de vastidão toma conta de mim . de nada a tudo, resta-me a razão consciente .

21.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) http://paoliumaaprendiz.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html

de estrelas

 
(1)




brilho deramado na poeira cósmica que somos nós . altura engrandecida por desvios estéreis, qual cabide de estereótipos . elementar rota de acesso perseguida à custa de apelos vazios . no alto de árvores, antes de certas esquinas, substituindo cérebros . escorrego na fria hipocrisia que se quer fábrica . conto um segredo pra quem quer ser somente lua .

10.12.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

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(1) MIRÓ -  http://dialogospoeticosimello.blogspot.com.br/2011/06/pedaco-de-ceu.html

quinta-feira, 15 de março de 2012

[ por.do.sol ]

(1)






bailado de luzes brinca ante meus olhos e cantam árvores teimosas . mais à frente, azul se entre.te.ce com verdes a espreitar rosas.lilases vestidas quase de outono . vento sopra tempos escondidos no prateado que toma teus cabelos e te ensina charme em disfarce . lua tímida: da esquina estica os segundos de seu encontro com o sol, já espalhado na paisagem . tarde preguiçosa, a pregar peças, rouba o orvalho de amanhã e o cheiro da madrugada . dentro do tempo, pétala me ensina sonho pra te acordar - poesia .



15.03.2012

(atualizado em 15/03/2017 e em 15.03.2021)


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) Imagem - http://entreosoleasbrumas.blogspot.com/2007_10_01_archive.html
e https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNGrHVZu1tGvuFl0mjSjgvZxMdZT8XhTr641WNBv6EYxwo9Z8FRyCUVhOB1u9kABq433gCVmt5KrzrnokL67F1RnO4D_pby1WtICUXip2VC5D2_6IWWWLaTZLPr6CTYAwfrFTKscwb9ksE/s320/2i9qmms.jpg


 

terça-feira, 13 de março de 2012

[sem.ser]

(1)


vertiginosa, mais que anímica . razão menos que o escurecer . ao vento e sempre diferente . divergente e nunca ao amanhecer . sem sorrisos e quase alma . nas madrugadas, sorrateira e longe de extremos . ao alto com os azuis . pelos verdes, simples luz . nem radiosa, nem onipotente . apenas sem.ser... in.cer.te.za. 

16.02.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) http://ninaerafa.blogspot.com/2012/02/tem-que-ser-sempre-assim.html

quinta-feira, 8 de março de 2012

[ paisagem de enigma ]

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réstia colore solidão . folhagem assombra desertos de ser . passo instantes sem cor diante deste agora . flores perdem furta-cor em nome do transparente e do vai s'embora . atalaias não lamentam meu foco quase míope de você . escarlate se perdeu rumo ao agora . esqueço que sei sentir saudade . busco caminhos doutos somente por impulso . afasto dúvida da vista turva . vento me ensina a colher imensidão camuflada em tuas chuvas . parto ao longe, no espaço . sou vista sinestésica .


07.03.2012


Andréa do N. Mascarenhas Silva 


(atualizado em 08/03/2017)


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(1) Imagem:  http://nasestrellas.blogspot.com/2010/06/o-misterio-da-vida.html

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

fruir de amanhã

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alvoroço de tarde entrou por meus poros . decidida, escuto o futuro . elixir do próximo outono deixa no ar suas cores . àquela árvore menina fiz confidência que crescerá . quero o trem do infinito à disposição . agigantar janelas e portas em nossa construção . nem mínimo nem máximo dão conta de meus desejos: apenas o possível, o nem sempre palpável, o que evola . posso não ter consciência de tanta existência, mas sou partícula . nossa imagem sobre ponte permanece e já somos futuro .

28.02.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) Imagem - http://odeliriodabruxa.blogspot.com/2011/10/ponte-de-amor.html

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

deixa


(1)



um mote perdido no meio do turbilhão de azuis despidos de solidão . hora da aura ir embora se faz quase antes e menos que depois de toda gente . só, no silêncio, ancoro rios sem sentido dado . não preciso apenas do que há: inenarável me faz bem . sob a face do maravilhoso também vislumbro o vil contentamento . tosco me ampara da queda em vazios . encosto um lamento no triste abandono . lavo um sorriso gasto, predileto . na noite descubro uma fresta ao teu lado e desço a outros tempos . sou era acordada na véspera .


20.02.2012



[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]


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(1) http://stefanypereira16.blogspot.com/2010/09/nao-vale-pena-tentar-pedir-desculpas.html

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

[jardim]




 (1)


brisa sem sorriso. felicidade avessa a contentamentos. vida que passa entre as flores. esquecidas folhas decoram o chão. notas da música de zás-trás. revoltas de relva ressequida entram por meus pés. sopro de passado ganham ar rarefeito. mal-me-quer desiludido acorda sentimentos. perplexidades compram-se à vista. esgueiro-me de ventos íntimos que chegam desavisados. irresistível faz as vezes de quase incessante. amanhã lava-se ligeira dos vapores da tristeza...

31.01.2012


[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]

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(1) Fonte da imagem: http://www.domtotal.com/agenda/detalhes.php?ageEveId=2457

sábado, 28 de janeiro de 2012

[compartir]



 *





vermelhos sem vertigem assomam e não há rastros. vivo a delicadeza de certo olhar. ter o rumo e quase não saber andar. traço um caminho de revés. meu pensamento tem claraboias de sorrisos e lágrimas. passos de um livro que não sei ler. acalento o que amo em sinestesias de um tempo esquecido. perto não é da ordem do que preciso.

28.01.2012




[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]

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* Foto do acervo da autora.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

sinos de vento

(1)




a noite passa por mim na música dos ventos

horas e águas tem ritmos parecidos, mas nunca se igualam

páro pra sentir vento e mar em equilíbrio deselegante

dentro do escuro as ondas disfarçam medos e ouvimos somente seus soluços

areia molhada.seca conspira com os ventos pra acalmar tantos mares em fúria de verão

mal sabe cada grão ínfimo das sandices eólicas

planos abortados a cada flor que toca o mar

ciclos quebrados, deuses contrariados

destino toma a frente das multidões e rege o coro de corações

ainda há casas sobre o mar, antes que o sol quebre o encanto daquelas brumas que tocaram meus sonhos

com os olhos posso ver apenas o que os outros sentidos permitem e essa mágica me basta

03.01.2012



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) Imagem - http://schsonia.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

sábado, 31 de dezembro de 2011

arcos


 (1)






lanço o olhar (ou a memória?) e sinto atmosfera que ainda não conheço


um sonho disfarçado em ritmo de futuro me tira do sério


entrevejo... abóbodas e um céu cinzento cada vez mais de perto


escuro me cabe mesmo em claras noites

araltos de invernos tristes escapam de algum canto

não há lirismo à venda, escorrem pelas estantes, infestam o chão e estancam ante meus pés

azul vem até mim em sobressaltos

na madrugada que se adianta sento e encontro outros tempos: paisagens me esperam tingidas de vinho


não reviro tormentas: acordo plena e com os pés no mar


vago por meus espaços imprecisos e sou aposta de um sim




31.12.2011




[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]



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(1) http://www.mochileiros.com/bolivia-chile-peru-e-equador-em-60-dias-t19696.html





quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

um canto lírico derramado


(1)


querer


quero lirismo derramado nas ruas . mapas de insensatez e que não guiem Nada ou Ninguém . marcas da rotina não em meus olhos . QUEro . largo desespero com correntes caudalosas pra suportá-lo e sabê-lo indo . cabelos ecológicos que espelhem almas . mar de poesia pra me banhar em dias de madrugadas nossas . palco para monólogos desalentados com ruidos sujos . procissão de nossa eternidade quase em vão . sonhar a mão da criança que guarda e suporta o mundo, qual cântico drummoniano . lirismos...



30.11.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



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(1) Imagem - http://blogueluzesombra.blogspot.com/2011_03_01_archive.html







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(2)


aqueles olhos


especificos, irremediavelmente fugazes... longe de mim e ao mesmo tempo tão próximos, a me fitarem por dentro, na via da alma, rumo ao coração . estanques, mais que líquidos, formam paisagens absolutas de mistérios . as vezes sinto ressaca machadiana naqueles olhos . fogem de tristezas acumuladas . navegam um mar de ilusões em que sou convidada especial e não me dou ao charme da recusa . olhos que trazem pra mim enredos inventados em tons de furtacor . marEsia: marEpoesia .

29.11.2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



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(2) Imagem - http://marybackes.blogspot.com/2011/12/alem-do-homem-o-homem-que-somos-alem.html



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

[passado.presente]




(1)




o passado sopra aqui . meu coração partiu contigo . a lua comigo somente. a orquestra leva meu destino . anjos emprestam-me nuvens . não sei voar sem ti . o tempo não é outro que não o azul de tua camisa . embevecida de tuas imagens propagadas em palavras . valso as páginas que me destes a ler, quase a levitar . tenho você do modo mais sutil, impertinente e como ninguém consegue .



TRADUÇÃO: 

il passato.presenti


i colpi passato qui . il mio cuore è andato con te . la luna con me solo . l'orchestra prende il mio destino . angeli mi prestano nuvole . non può volare senza di te . il tempo non è altro che il blu della camicia . rapito propagato le immagini delle tue parole . valzer delle pagine che ho letto, quasi levitare . si ha la più sottile, impertinente e perché nessuno può .



01.12.2011



Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva



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(1) Libélulas, s/d - Kashimira Jahveri (Índia) - Gravura em metal
FONTE: http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/04/28/para-comemorar-os-150-anos-do-nascimento-de-alberto-de-oliveira/


sábado, 17 de dezembro de 2011

Senhora do mar




(1)

MINICONTO 



(versão 1)
Era dia da Senhora do Mar. Espelho, flor, água de cheiro, pedidos escritos-entoados-imaginados. Pés sem pedir licença profanam o mar. Ritos que se completam no tempo do reino do sol. Uma menina de cabelos dourados apanha as flores que ficaram no caminho e, à flor da infância, orna seu castelo de imaginção. Dentro dele deu morada à sereia que imitava dona Iemanjá. Com as flores decorou também a bruxa de pano e os cabelos alvos da avó, a mesma que ensinara os segredos de encantar sereias. Por do sol ofusca-me a vista dessa história e gotas salgadas não sei se saem ou se chegam até meus olhos...



08.12.2011



(versão 2)
dia de senhora do mar . espelho, flor, água de cheiro . sonho derramado em pranto . pedido inscrito em oração . cantos entoados dentro e em cada ciranda improvisada . pés sem pedir licença profanam mar . ritos que se completam no tempo do reino do sol . menina de cabelos dourados apanha flores que ficam no caminho e, à flor da infância, orna seu castelo de imaginação . ali dá morada à sereia que imita dona iemanjá . com as flores decora a bruxa de pano e os cabelos alvos da avó, a mesma que ensina segredos de encantar sereias . por do sol ofusca-me a vista dessa história e gotas salgadas não sei se saem ou se chegam até meus olhos . ven.da.vais .
08.08.2016


(versão 3)
dia de senhora do mar . espelho, rosas, água de cheiro . sonho derramado em pranto . pedido inscrito em oração . cantos entoados dentro e em cada ciranda improvisada . pés sem pedir licença profanam mar . ritos se completam: tempo, reino e sol . menina de cabelos cacheados apanha flores que ficam pelo caminho e, à flor da infância, decora seu castelo: imaginação . dentro dele dá morada à sereia que imita dona iemanjá . com as mesmas flores enfeita bruxa de pano e os cabelos alvos da avó, aquela com quem aprende segredos de encantar sereias . pôr do sol em meus olhos cintila essa história e gotas salgadas não sei se saem ou se chegam até eles . areias . ven.da.vais .
04.01.2017




[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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domingo, 27 de novembro de 2011

espelho reverso

(1)



iluminuras . barco que navega nuvens . portas esculpidas em sombra . riachos sem curso certo . rotinas descompassadas rumo ao infinito . estrelas que conduzem sonhos . manhã sem.som.sol.sal . respingos de lágrimas velhas borram meus escritos . já não vivo esse tempo . percorro uma ponte estrangeira em minhas quimeras . alcanço alegria com vento no rosto, à janela . imagens tecidas entre cores e lembranças de nós .
25.11.2011




alma . escopo de saudade . retira-se de mim sem permissão . espreita-me de longe, restritiva . vento lírico que nos leva . sonata de amor que guardo no peito . fantasia invade cada vez mais minha cidade-razão . não perco tempo com lamentos . há um universo feito de palavras . alma e eu: prontas a navegar . temos um espelho que nos aproxima e nos dá espaço paralelo, sempre ao contrário .
24.11.2011




rosário de estrelas . vejo madrugada sem neblina, a me enfeitiçar . esqueço as horas . recorro ao mar de sempre amar . saudade escorre pela barra do vestido . Minas me atrai faceira-generosa . trago sonhos na bolsa pra tomar de hora em hora . neste papel virtual ainda cabem borrões . desperto de um lamento .

23.11.2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) FONTE DA IMAGEM: http://www.fotosimagens.net/espelho.html

de ruas e tempos

 (1)



sem tempo . quero poder desmantelar o tempo que nos deixa acuados e nervosos para cumprir seus caprichos . o cheiro da invernada sertaneja que me traz você . das águas que jorram quentes do seio.seco.sertão, só teu suspiro em deleite e o impossível que nasce de nossos abraços evasivos .
19 e 20.11.2011


intermitente . imaginação turvada . a praia da atenção está deserta . trabalho que quer ser invadido por outra música . a um passo daquele trem, tenho Minas a passear em mim . urjo sem sintonia . da calma quero o sentido menos conhecido . respiro o universo .
14.11.2011


um lírio sobre a rua . quase um redemoinho de ideias . quase um abismo lírico . pedras sorrateiras..., ontem amigas . sombras que volteiam o resto de meus sorrisos . o inverso... de que preciso .
17.11.2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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(1) FONTE DA IMAGEM: http://sobsuspeitas.blogspot.com/2008_10_01_archive.html

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

noite

 (1)




neblina fina que me envolve 
atmosfera em que viajo até você 
frio aconchegante 


ainda há rasuras em nossa linguagem 
não cabemos nesse tempo que nos quer sozinhos 
enfileiramos silêncios pra nos aproximar 


minha sensibilidade namora tua razão 
tenho uma janela para ver a lua que te vê 
abro as portas para um sonho possível 

pela noite, rumo à madrugada 
alumio o escuro com o brilho de certas palavras 
teço um livro pra compartilhar nossas invenções 


não tenho pés para o abismo 
tenho alma estradeira 
há riscos, desafios? sim, adrenalina necessária 


hoje me vi pintada de anjo 
passarinho se fez presente só pra te ver 
perdi-me em pensamentos entre a leveza e a reflexão 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quase solidão

 (1)



estio
          mar afugentado de ti
rito apenas imaginado



          penso em rede e arandelas
um sonho estreado
                    entre montanha e mar


    
     dia que se faz noite
de repente
                  enquanto saio de minha ilha



          trago jornal no peito
nossas notícias intemporais
     que vagueiam pelos espaços entre nós


 
17.12.2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


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edição de encantamentos



(1)



olhos . não quero tristeza naqueles olhos . mesmo que trancados, imaginam meu corpo pelo avesso . quero ser água cristalina para banhá-los de alegria . minha alma ultrapassa aqueles olhos qual chuva sem vento . há um palco nosso feito de neblina ali dentro . contornos, imagens tremulantes, aromas de amor . eis um de nossos espaços inventados mais nem tanto . nós, a noite e a lua em nós . rabiscamos um verso com estrelas meninas . orvalhos choram a cada passo de nossa dança . espelhos se quebram com ciúmes ressequidos . somos nós e muitos não acreditam . quero palavras derramadas sobre nosso caminho e um anjo a compor livros amorosos . rasgo a lira triste que anoitece teu olhar . desse flash.encontro aqui deixo sinal.ritual . 03.11.2011



edição de mistérios . antes da lua nos encontramos. era bruma de amanhecer . nossos passos e a imensidão . à beira de tuas páginas qual sombra de sonho . um aceno de olhar cálido . sem tristeza ou alegria nos damos ao acaso dos sentidos . império sem domínio que habita em nós . do absurdo ao sorriso percorremos juntos à luz da necessidade . nossos mistérios são abertamente forjados e pagos com a crença pública .
01.11.2011



tempo . ouço palmas que voam de teu encantamento até meu mais profundo imaginário . tem estrelas em nosso instante lírico . navegas por teu parto.palavras . entontecem meus sentidos os ares que emanam de tua alegria . deito sobre o enlevo que hoje respiras e escapa por tua alma arredia . tem um tempo marcado pra nós: data e lugar . moramos nesse entrecho temporal . alcanço a hora: não tarda tua palavra incandescente a soprar-me poéticas ao pé do ouvido .
27.10.2011



[Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva]

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