domingo, 14 de agosto de 2011

apenas

(1)



Deixo que me guies somente em meu lado de dentro
aparência me protege feito casca 
vagueio em silêncio
resido no afâ de tua memória 

30.07.2011




resisto . aplauso de infinito ouço ao longe . retrocedo em vias de dentro . facho de segundo nào me alcança. dor e melodia com bruma de mar . amanhà me encontra desperta . esqueço mágoa repisada com tortura seca . antes a caatinga e seus espinhos . vela e lampiâo já iluminam nossas noites futuras . vaticínio sem sonho .

07.08.2011




perco o azul da atmosfera onde resisto . sou grito enlaçado de lamento . pereço na curva que te antecede . há um nó cego que ainda não consigo desatar . divago com a humanidade nua . sofro os influxos da existência social . feito bomba errante estouro indevidamente . não há sedas no caminho e o bordado há muito foi esquecido no sofá . quero escuridão e claridade ao mesmo tempo . tenho olhos pra me proteger . não sou só em tua lembrança .

13.08.2011





[Andréa do N. Mascarenhas Silva]
-----------

(1) FONTE da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDaPitqJVi_noP6GToz3HU5xuVCgvjCIXfB68XHNNY_BIIweJ-gHNn10iE2cTrvs2swdDTnvZrR2D1LqZd9iXIrBb3OQO5s0jy6uAexz8yD-PE5I7psOfyywfBy3_PlUneLfSAx40V4osX/s1600/pauta+de+p%C3%A1ssaros.jpg

sábado, 30 de julho de 2011

ITINERÂNCIA

(1)



Vem, poeta andante
cobrir-me de olhares 
inventar-me em mistérios 


abre-me a porta de tuas tardes
recebe-me em teu palácio mais lírico
dá-me a conhecer tuas palavras


NO CAMINHO: passas por entre luzes d'espanto
esconde-te em instantes profanos
entra em meus pensamentos como dono


já rasguei enganos
troquei sentimentos insanos
e não mais me arrependo dos devaneios


nossa utopia é possível
vale-me como vida
estreito cada vez mais nossos laços 


25/07/2011

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


-----------------------------

sábado, 16 de julho de 2011

MEU LEVITAR

(1)




                            
                                       
                                         Estou nas nuvens: rodeada de livros
                                             estantes como refúgio 
               deito sobre um céu de palavras 



                                                          quero este escritório 
materializo aqui um de meus desejos confessos 
          faço planos pra sonhar 



                              nuvem profissão
                                não para esquecer problemas
aqui contabilizo pendências zeradas



um livro vem à mão
                     nele escuto o que já li e em ti vivi
       da capa saltam nossas imagens compartilhadas



                             volto desse voo
                                       e uma palavra me acompanha
               a que casa com minhas quimeras aladas: imensidão




13.07.2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

---------------------------
(1) FONTE da imagem: http://imaginadongo.blogspot.com/2011/03/destinatario-remetente.html

quinta-feira, 30 de junho de 2011

NUVENS DE SONHO REAL

(1)



Navego nossos pensamentos como ninguém mais pode sequer imaginar.

De nossas memórias tiro algo inusitado e que não foi totalmente aproveitado quando do tempo vivido. Como um filme que podemos voltar ou adiantar o tempo, pra perceber e sentir melhor o que compartilhamos sobre pedras hoje desalentadas pela ausência. Faço do passado presente e futuro, como deve mesmo ser encarado o tempo que nos dão a viver.



Nós e um sonho que já é real. Posso acreditar no que vivemos fora do ar que todos respiram. Nosso real é invisível apenas aos olhos daqueles que não aprenderam a ver certas materialidades. O que rege esse sonho são sensações, sentimentos e uma adrenalina tão intensa que chega a surpreender. Aventura nova-diferente a cada elemento novo que nasce desse sonho. E o melhor: quanto mais sonho, mais sinto seu real, mais transpiro tua presença e mais te contagio a sonhar comigo. Isso não é só nuvem.



ROTEIRO:

Você-eu-sonho.real-sensações-memórias-aventura-tempos-nuvem.

30/06/2011



[Andréa do N. Mascarenhas Silva]




-------------------------
(1) FOTO: Acervo particular da autora.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nada?


(1)




Nada. Mas há dentro desse espaço ao menos um eco de mim que se expande e chega até você.


Repare: aliás os espaços enganam, ainda mais se forem os recônditos, os ermos, os de segredo.



passo a vida pelo teu avesso

e sei que nunca é quase nada

rodopio em meus ais



um concerto onde bailo com vendavais

e no salão

nada além de você ou o nada, além de você



respingos de nossas memórias inventadas

dão exemplo desse espaço cheio de vazio

nada e ninguém nos roubam isso



é tino preencher os espaços

a humanidade é dada a isso

pontes e pontes sobre abismos



registro mesmo assim meu desatino

não sem certezas do feito

e sim, sem o tom de absoluto que está fora de mim



Não quero essa lírica exata, pintada de razão em várias cores. Solto as rédeas das palavras. São potros livres e aqui podem tudo. Selvagens em talhe sóbrio: não, não combinam. Remendo estes versos com prosa frouxa, para além da exatidão, em fuga dos dicionários. Encontrei palavras trêmulas, escondidas no nada. Lá haviam um.sem.número de imagens, precipitando-se já em quase fantasmas. Não resisti e lancei mais uma ponte possível e de lá puderam sair radiantes. O nada é quase tenebroso, não fossem os apelos de ninguém e de nenhum.


09/06/2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



-------------------------
(1) FONTE da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3Wfwyf-xxi4Z614eAXGKA7u0ygyFVL5eK6twcECGVpX_Z60Ui2-YKTdbls2LLeOoROOSpdskpOtxQWMtQEZlWj6nUOKIIBanFpGdyfea7crE5ajxdGkEaKix1l3lTgqVTXc6awANiURs/s1600/darkness-forest-night-image-31000.jpg

sexta-feira, 3 de junho de 2011

entre possível e inusitado

 

(1)





meu barquinho envelhecido

parte da interseção do horizonte

e tenta chegar em águas de novidade



salto contra a gravidade

invisto no impossível

no mínimo faço instantes inusitados



não gosto de um só suporte

do papel ou da página em branco.só

escrevo agora pelo avesso



As vezes penso em lírica subalterna, em verbo sempre no masculino a imperar ordens sobre o que escrevo e lembro de Bachelard, quando fala de sua busca pelo feminino das palavras. Então acalmo a pena e esqueço as tradições. Quero escorrescrever ou escrever em volteios escorregadios, sem deixar nenhuma rédea me guiar. Deixo a lírica ir à frente, para saltar sobre seus rastros e compor os meus no rumo que quiser. Os desenhos que minhas palavras formam ainda são hieróglifos pra mim. Não posso decifrá-los todos e nem quero. Há espaço no que escrevo para uma poética sem fim, feita de leituras alheias e de leituras que escrevem em outros idiomas e tintas.



rasgo de insensatez

estranha lucidez

quero assim minhas palavras





                                                                                                                    interseção

 

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


---------------
(1) FONTE DA IMAGEM: http://www.flickr.com/photos/ljkay/3691323794/in/photostream

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Centauro alado

 

(1)



Fênix
Ônix
Mitos e lendas
histórias reais
             imagens do magnífico

Penso num centauro
    alado do meu sonho
    vibro por sua existência una
       cavaleiro animalesco

Escarlate mundo mitológico
      Deuses e ninfas a reinar
      seres irreais reais

A nuvem passeia
     flertando com ele
       alado centauro
           irmão das estrelas

Rosa mística
     presa em tuas asas
     inebrias teu vôo lento

Seu sonho lindo
     povoa os meus
     Centauro alado
     Ensina-me a voar por mundos
     Ser feiticeira das águas
     Aprendiz das estrelas
     Amante das gaivotas

Centauro alado
      num vôo noturno
      encanta seus mundos
      e sempre mais o meu

Teu brilho especial
    ensina-me a magia
    do segredo em tuas asas


27/02/1997


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]


-------------------------
(1) Imagem - http://www.pobladores.com/channels/entretenimiento/Andromeda_Mountain/area/24/subarea/2

domingo, 22 de maio de 2011

CAVALEIRO ANDANTE DE MEUS SONHOS

(1)







espelho turvo de memórias

. nuas .

senhor caudilho e lírico

. sem poder .

mesuras, delicadezas de raro charme

. espanto .

em minha mais alta torre

. alcance .

dentro de nossos mistérios

. encontros .

por entre brumas de madrugada

. cartas .

ritmos de coração

. distância .

prado de uma ilusão

. certezas .

gotas sem desespero

. esperança .

orvalho de velhas batalhas

. oração .

poço de muitas lágrimas

. condão .

espírito de teus lirismos

. perdão .

passos rumo a presentes

. ações .

regimes de ingratidão

. soluços .

rimas de uma vida

. amar .


22/05/2011

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



-------------------------

(1) Fonte da imagem, de Cândido Portinari - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6_L6M7p8dvP0mds-UQsnoJdascdWWFy1W9qRqTjqwJz1PYmbQwygokVc3xOmb9YJM6kMxZUP-YyhI69-iUmsItWyxbTspsAw0FsU3dyc4fPmEglZI9upeb7BKQTnd5lfx4hqbWygrWW4/s1600-h/sonho.jpg
Publicado também no Meme/yahoo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

RASURAS

 (1)


RASURAS




(pra você)





resta-me o infinito pra sonhar

falta-me o soluço certas horas

abundam imagens nossas



Zeus-Deus... não vão-se embora

luz nessa hora

encalham-se planos de sempre



marmotas lembram-me você

ensaio passos, arquiteto

resisto se for conveniente



nosso baile à espera

ilusões também constróem sonhos

sigo... escuto... sinto...



a um instante de você

minha memória brinca sem dever

cheiros despertam certos imaginários



quero escrever minhas-nossas histórias

rabisco um caminho-sem-fim

pintadinho de mil’azuis



boca.corpo.olho dentro de nossos (só nossos) mistérios



----------------------
Andréa do N. Mascarenhas Silva
em 09/05/2011

(1) Fonte da imagem (Manuscrito da "Eroica" com rasura de Beethoven apagando a dedicatória a Bonaparte): http://euterpe.blog.br/

teus / nossos arquivos

 (1)








longa madrugada sem sonhos 
e não é que não nutra imaginários 
são de lutas meus momentos tolos

II

aperto as mãos e as palavras não vem 
labitinto se forma em mim mesma 
tranco a porta do abismo em vc

III

instalo outros tempos em mim
preciso de halos imateriais
e asas poderosas a nos unir

IV

rasgo velhas certezas
empresto livros que não quero mais
teus arquivos são cada vez mais meus

V

manhanzinha amiga minha
dá-me luz encantatória
respira bem dentro de minh'alma

VI

nossos tempos se estreitam
nossas luas formam interseções
nosso barco já partiu e lá estamos nós


07 e 09/05/2011





------------------
[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

(1) Fonte da imagem - http://pioneiros1275airaes.blogspot.com/2009/08/respeito-pela-natureza.html

sexta-feira, 8 de abril de 2011

À SOMBRA DA LUA

(1)



estalos sob o pé
paisagens de nós pela rua
noite longa em solidão

palavras soltas na lembrança
contatos sinestésicos à distância
entre Camões e Pessoa estamos quase à sós

Risco um rio que não seca e nele encontro nossos versos, todos soltos, a compor um livro regado à lírica. Nossas imagens se confundem com a água de mil tons que brota das palavras. Escreves um verso, eu outro e por nossas mãos se entrelaçam pensamentos que escorregam sem se fixarem ao papel. Vaticino esse futuro que não é mais só meu...


Texto escrito em meios virtuais em 08/04/2011, sem rascunho.

FOTO: http://maiovinteeseis.blogspot.com/2005/11/vov.html

sexta-feira, 18 de março de 2011

Livro de Deus

(1)



Em tempos de Tsunamis,
a matemática da vida nos ensina que vivemos / somos / estamos
anos-luz na escala negativa...

Pedacinho de poeira no vácuo
flores no jardim da existência
poemas em verso livre no livro de Deus

Vendavais . alvoradas . paz .
barbas na salmoura
carnavais desalentados

À beira de um abismo cósmico, somos tragados por forças invisíveis. Olhos incrédulos nos deixam sem chão. Correnteza desgovernada nos ensina a pequenez. Outros valores e medidas precisam ser apr(e)endidos urgentemente. Tempos que impelem à reflexão profunda.

Ventos, acercam-se de nós
lama . tormento . fé .
pra que servem gravatas de seda?...


---------
Homenagem as vítimas dos terremotos no Japão - 2011
Texto produzido em meios virtuais, em 13 e 18/03/2011, sem rascunho.

(1) FOTO: http://hardhardware.com.br/blogdowal/tecnologia/relacao-com-terremotos-e-tsunamis/

domingo, 6 de março de 2011

haikais quebrados

 ( 1 )




Olhar a lua .
desfaz tua ira .
retrato em silêncio .


Princípio de leveza .
em chafariz de encantamento .
doce perdão .


Sob capas . dissimulada . 
sorvo teu olhar andarilho . e .
não me traio .


( 2 )

------------------
Poema feito em meios virtuais (sem manuscrito) em dias diferentes: 12, 19/02 e 01/03/2011
Publicado também no Meme/yahoo em 13/02/2011.

Sobre a arte do Haikai:
http://www.sumauma.net/haikumasters/basho/basho-bio.html
http://www.nipocultura.com.br/?tag=arte
http://www.insite.com.br/rodrigo/poet/haikai.html
http://ensinandoartesvisuais.blogspot.com/2007/08/charge-histria-e-cultura-infantil.html

( 1 ) Fonte da Imagem: http://www.nipocultura.com.br/?tag=arte
( 2 ) Fonte da imagem http://alanlokko.blogspot.com/2010/05/lua-cheia.html

terça-feira, 1 de março de 2011

pleni.tu.de


 

(1)

sim! plena
eis como estou tingida hoje
giz.e.chão 

apago a vela da noite
anterior

teu cheiro se espalha em minhas imagens
fantásticas

a lua me assopra teus pensamentos
nus

prata e negro combinam retratos
de ti

em tua presença
sou falso firmamento
im.preciso.suspiro-êxtase

01/03/2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

(Poema feito em meios virtuais)



SSA, 22/01/2010

------------
(1) FOTO:  http://institutotaraverde.blogspot.com/
Publicado também no Meme/yahoo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

procur ação



piso no céu:

um mar de estrelas



preciso, eu sei,

um óculos de poeta



levo da Bahia – tributo

aos pés de Castro Alves, sandálias de couro

e a memória em sete artes



Glauber Rocha, poeta-movimento

completa um abraço mais que simbólico

e diante do mar, compartilha sertões:

poéticas de liberdade



ser e estar na Bahia

ser e/ou não ser

vozes, búzios, profecias


SSA, 30/01/2011

Para fruir/e/saber mais sobre Castro Alves e Glauber Rocha:
http://www.overmundo.com.br/overblog/coincidencias-ligam-glauber-a-castro-alves
http://www.vidaslusofonas.pt/castro_alves.htm
http://www.vidaslusofonas.pt/glauber_rocha.htm

Link da Foto: www.flickr.com/photos/eufotografa/3216689408/

sábado, 22 de janeiro de 2011

Furta.cor da lembrança

(*)


De azul e branco me banho este ano
em rio de contas 
na furta.cor da lembrança


bailarina carnavalesca
arrepia-se em sentimentos verdes
e foge, salta a janela: madrugada


águas, cascatas e ventos
passos, nados e bailes
e no frio... venho do passado ao presente


ruinas, casario centenário
em frente da igreja - risos
lá passeiam meus olhos... saudades



by Andréa Mascarenhas


Texto escrito em meios virtuais, sem rascunho, em 11, 12/01/2011 e 23/01/2011


*** Para Ana Paula Ramos Pereira, de Rio de Contas/BA, uma amiga que conheci em Aracaju, há muito tempo...Saudades...



(*) FOTO: Obra de arte do artista natural de Rio de Contas/BA, Luiz Hermano. EM: http://www.arteref.com/artref/index.php/noticias/view/1966/artesPlasticas

domingo, 12 de dezembro de 2010

pensamento alado






















 (segunda versão)



| pensamento alado |


hoje  
dia e chuva  
conversão  


medida de poesia


palavras molhadas  
necessidade  
cai, céu


alma  
(in)saciada  
gotas pesadas


corpo de vida
lavado
em palavras


acordo/AR
frio
quase
in(c/s)ipiente


revolvo crateras
busc@ tudo


passeio pensamentos
pra longe
quimera


vou ao passado
rumo
ao que não tem
fim...





(primeira versão)


Hoje o dia traz chuva, que quero converter na medida da poesia...



   Palavras molhadas pela necessidade que cai do céu...



      Alma que ainda não se saciou com as gotas pesadas...



         Corpo de vida em palavras lavado....



         Acordo com o frio quase in(c/s)ipiente



      revolvo crateras em busca de tudo



   passeio o pensamento pra longe-quimera



vou ao passado em busca que não tem fim...




12/12/2010



Andréa do N. Mascarenhas Silva


-----------
Imagem: acervo particular da autora.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

SONHO...



Uma espécie de muiraquitã cruzou meus caminhos...
... e o cheiro de mistério, cor de ambar disfarçado,
fez morada em meus arquivos...

Quero preencher os espaços com palavras de luz...
na memória passeiam fantasmas de minhas invenções...
rasgo a roupa da coragem e ouso lembrar...

...


É que o passado sempre me chama, mas piso o futuro...

...

Acordo da dor tingida em outras cores, tuas cores...




Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

(Texto escrito em meio virtual, aos pedaços. EM: 29 e 30/10/2010, novembro e dezembro/2010)

--------------
(1) IMAGEM - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZjHE4YWjsRticxiqBH9kHfKSDqW1FnllFpAbOAKoKemsVibA6tQDzrNtBLEpOwEGnOgWte-IC8bW7M-MfZCtdFO6k022ffgoil3pgZVqfVysJppCMhFbWA6PuGwGJiNIiAxyq72ZPRrg/s400/SONHO+GIRL%255B1%255D.JPG

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

poema azul-mar




poema azul-mar


parto com meu barco
a navegar estas paredes
só vislumbro um naufrágio

vou tomada por tuas ondulações
pescar ilusões embaraçadas
na rede das (a)sensações

escamas por toda parte
odores, ondas quebrando, redemoinhos
desaguo na praia d'esperança

apesar dos maremotos
vendavais me conduzem a outros mares
lá sou mais que mito-sereia-feitiço



30/11/2010

Andréa do N. Mascarenhas Silva

----------
FOTO: (acervo particular)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

na porta do tempo

(1)



(segunda versão)




| na porta do tempo |


pé no passado . àquela casa de ontem, pensar o tempo . ves.tida em cores simpáticas, segura, em teu jardim, aura intemporal . pressinto: correr livremente pelo tempo, ir.e.vir . suave, ora: vertiginosa . sentar naquele banco, viagem, dado prazer . lugares e o mesmo lugar . pessoas e suas vestes, ali . outras pessoas, tardes, conversas . brisa de ontem em mim . tempo em outro tempo . parte da existência . testemunhas do que nos rodeia: faísca (in)temporal, acesa, ali . universo paralelo em nós - valsa do tempo: dançam nossos ancestrais e entes futuros . sopros da vida . nessa estação, toco e passo . por aqui, meus sapatos de bailarina . e valsam, intemporalmente: bailes de fantasia .
 




(primeira versão)


Aquela casa de ontem me fez pensar no tempo. Vestida com cores simpáticas, teu jardim segura uma aura intemporal. Pressinto que ali posso correr livremente pelo tempo - ir.e.vir suavemente, ora vertiginosamente. Ao sentar naquele banco fiz uma viagem como há muito não me havia dado o prazer. Percorri lugares e o mesmo lugar, vi pessoas e prestei muita atenção em como se vestiam para ali estar. Naquele mesmo banco outras pessoas descansaram, passaram tardes a conversar e a aproveitar a brisa. E o tempo, em outro tempo, pode me oferecer o privilégio de ali também poder passar, sentar e aproveitar a brisa. Assim fazemos parte da existência, ao atentar para o que nos rodeia, ao que pode nos fazer testemunhas de uma faisca temporal que já não pode mais ser ou estar acesa, mas que ali esteve. Como em um universo paralelo, por ali mesmo passamos e temos o raro privilégio de dançar a valsa do tempo: tanto com nossos ancestrais quanto com nossos entes futuros, que ainda hão de receber o sopro da vida. Preciso entender o que toca e o que passa na estação desse sopro...


SSA, 28/01/2010


"Por aqui passeiam meus sapatos de bailarina e valsam intemporalmente nos bailes da fantasia..."
SSA, 29/10/2010



Um pé no passado - Academia de Letras da Bahia/SSA.
SSA, 10/11/2009


Andréa do N. Mascarenhas Silva

--------------
(1) FOTO: (acervo particular).
Publicado originalmente no Meme/yahoo, em 10/11/2009.