sexta-feira, 8 de abril de 2011

À SOMBRA DA LUA

(1)



estalos sob o pé
paisagens de nós pela rua
noite longa em solidão

palavras soltas na lembrança
contatos sinestésicos à distância
entre Camões e Pessoa estamos quase à sós

Risco um rio que não seca e nele encontro nossos versos, todos soltos, a compor um livro regado à lírica. Nossas imagens se confundem com a água de mil tons que brota das palavras. Escreves um verso, eu outro e por nossas mãos se entrelaçam pensamentos que escorregam sem se fixarem ao papel. Vaticino esse futuro que não é mais só meu...


Texto escrito em meios virtuais em 08/04/2011, sem rascunho.

FOTO: http://maiovinteeseis.blogspot.com/2005/11/vov.html

sexta-feira, 18 de março de 2011

Livro de Deus

(1)



Em tempos de Tsunamis,
a matemática da vida nos ensina que vivemos / somos / estamos
anos-luz na escala negativa...

Pedacinho de poeira no vácuo
flores no jardim da existência
poemas em verso livre no livro de Deus

Vendavais . alvoradas . paz .
barbas na salmoura
carnavais desalentados

À beira de um abismo cósmico, somos tragados por forças invisíveis. Olhos incrédulos nos deixam sem chão. Correnteza desgovernada nos ensina a pequenez. Outros valores e medidas precisam ser apr(e)endidos urgentemente. Tempos que impelem à reflexão profunda.

Ventos, acercam-se de nós
lama . tormento . fé .
pra que servem gravatas de seda?...


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Homenagem as vítimas dos terremotos no Japão - 2011
Texto produzido em meios virtuais, em 13 e 18/03/2011, sem rascunho.

(1) FOTO: http://hardhardware.com.br/blogdowal/tecnologia/relacao-com-terremotos-e-tsunamis/

domingo, 6 de março de 2011

haikais quebrados

 ( 1 )




Olhar a lua .
desfaz tua ira .
retrato em silêncio .


Princípio de leveza .
em chafariz de encantamento .
doce perdão .


Sob capas . dissimulada . 
sorvo teu olhar andarilho . e .
não me traio .


( 2 )

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Poema feito em meios virtuais (sem manuscrito) em dias diferentes: 12, 19/02 e 01/03/2011
Publicado também no Meme/yahoo em 13/02/2011.

Sobre a arte do Haikai:
http://www.sumauma.net/haikumasters/basho/basho-bio.html
http://www.nipocultura.com.br/?tag=arte
http://www.insite.com.br/rodrigo/poet/haikai.html
http://ensinandoartesvisuais.blogspot.com/2007/08/charge-histria-e-cultura-infantil.html

( 1 ) Fonte da Imagem: http://www.nipocultura.com.br/?tag=arte
( 2 ) Fonte da imagem http://alanlokko.blogspot.com/2010/05/lua-cheia.html

terça-feira, 1 de março de 2011

pleni.tu.de


 

(1)

sim! plena
eis como estou tingida hoje
giz.e.chão 

apago a vela da noite
anterior

teu cheiro se espalha em minhas imagens
fantásticas

a lua me assopra teus pensamentos
nus

prata e negro combinam retratos
de ti

em tua presença
sou falso firmamento
im.preciso.suspiro-êxtase

01/03/2011


[Andréa do N. Mascarenhas Silva]

(Poema feito em meios virtuais)



SSA, 22/01/2010

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(1) FOTO:  http://institutotaraverde.blogspot.com/
Publicado também no Meme/yahoo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

procur ação



piso no céu:

um mar de estrelas



preciso, eu sei,

um óculos de poeta



levo da Bahia – tributo

aos pés de Castro Alves, sandálias de couro

e a memória em sete artes



Glauber Rocha, poeta-movimento

completa um abraço mais que simbólico

e diante do mar, compartilha sertões:

poéticas de liberdade



ser e estar na Bahia

ser e/ou não ser

vozes, búzios, profecias


SSA, 30/01/2011

Para fruir/e/saber mais sobre Castro Alves e Glauber Rocha:
http://www.overmundo.com.br/overblog/coincidencias-ligam-glauber-a-castro-alves
http://www.vidaslusofonas.pt/castro_alves.htm
http://www.vidaslusofonas.pt/glauber_rocha.htm

Link da Foto: www.flickr.com/photos/eufotografa/3216689408/

sábado, 22 de janeiro de 2011

Furta.cor da lembrança

(*)


De azul e branco me banho este ano
em rio de contas 
na furta.cor da lembrança


bailarina carnavalesca
arrepia-se em sentimentos verdes
e foge, salta a janela: madrugada


águas, cascatas e ventos
passos, nados e bailes
e no frio... venho do passado ao presente


ruinas, casario centenário
em frente da igreja - risos
lá passeiam meus olhos... saudades



by Andréa Mascarenhas


Texto escrito em meios virtuais, sem rascunho, em 11, 12/01/2011 e 23/01/2011


*** Para Ana Paula Ramos Pereira, de Rio de Contas/BA, uma amiga que conheci em Aracaju, há muito tempo...Saudades...



(*) FOTO: Obra de arte do artista natural de Rio de Contas/BA, Luiz Hermano. EM: http://www.arteref.com/artref/index.php/noticias/view/1966/artesPlasticas

domingo, 12 de dezembro de 2010

pensamento alado






















 (segunda versão)



| pensamento alado |


hoje  
dia e chuva  
conversão  


medida de poesia


palavras molhadas  
necessidade  
cai, céu


alma  
(in)saciada  
gotas pesadas


corpo de vida
lavado
em palavras


acordo/AR
frio
quase
in(c/s)ipiente


revolvo crateras
busc@ tudo


passeio pensamentos
pra longe
quimera


vou ao passado
rumo
ao que não tem
fim...





(primeira versão)


Hoje o dia traz chuva, que quero converter na medida da poesia...



   Palavras molhadas pela necessidade que cai do céu...



      Alma que ainda não se saciou com as gotas pesadas...



         Corpo de vida em palavras lavado....



         Acordo com o frio quase in(c/s)ipiente



      revolvo crateras em busca de tudo



   passeio o pensamento pra longe-quimera



vou ao passado em busca que não tem fim...




12/12/2010



Andréa do N. Mascarenhas Silva


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Imagem: acervo particular da autora.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

SONHO...



Uma espécie de muiraquitã cruzou meus caminhos...
... e o cheiro de mistério, cor de ambar disfarçado,
fez morada em meus arquivos...

Quero preencher os espaços com palavras de luz...
na memória passeiam fantasmas de minhas invenções...
rasgo a roupa da coragem e ouso lembrar...

...


É que o passado sempre me chama, mas piso o futuro...

...

Acordo da dor tingida em outras cores, tuas cores...




Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

(Texto escrito em meio virtual, aos pedaços. EM: 29 e 30/10/2010, novembro e dezembro/2010)

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(1) IMAGEM - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZjHE4YWjsRticxiqBH9kHfKSDqW1FnllFpAbOAKoKemsVibA6tQDzrNtBLEpOwEGnOgWte-IC8bW7M-MfZCtdFO6k022ffgoil3pgZVqfVysJppCMhFbWA6PuGwGJiNIiAxyq72ZPRrg/s400/SONHO+GIRL%255B1%255D.JPG

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

poema azul-mar




poema azul-mar


parto com meu barco
a navegar estas paredes
só vislumbro um naufrágio

vou tomada por tuas ondulações
pescar ilusões embaraçadas
na rede das (a)sensações

escamas por toda parte
odores, ondas quebrando, redemoinhos
desaguo na praia d'esperança

apesar dos maremotos
vendavais me conduzem a outros mares
lá sou mais que mito-sereia-feitiço



30/11/2010

Andréa do N. Mascarenhas Silva

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FOTO: (acervo particular)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

na porta do tempo

(1)



(segunda versão)




| na porta do tempo |


pé no passado . àquela casa de ontem, pensar o tempo . ves.tida em cores simpáticas, segura, em teu jardim, aura intemporal . pressinto: correr livremente pelo tempo, ir.e.vir . suave, ora: vertiginosa . sentar naquele banco, viagem, dado prazer . lugares e o mesmo lugar . pessoas e suas vestes, ali . outras pessoas, tardes, conversas . brisa de ontem em mim . tempo em outro tempo . parte da existência . testemunhas do que nos rodeia: faísca (in)temporal, acesa, ali . universo paralelo em nós - valsa do tempo: dançam nossos ancestrais e entes futuros . sopros da vida . nessa estação, toco e passo . por aqui, meus sapatos de bailarina . e valsam, intemporalmente: bailes de fantasia .
 




(primeira versão)


Aquela casa de ontem me fez pensar no tempo. Vestida com cores simpáticas, teu jardim segura uma aura intemporal. Pressinto que ali posso correr livremente pelo tempo - ir.e.vir suavemente, ora vertiginosamente. Ao sentar naquele banco fiz uma viagem como há muito não me havia dado o prazer. Percorri lugares e o mesmo lugar, vi pessoas e prestei muita atenção em como se vestiam para ali estar. Naquele mesmo banco outras pessoas descansaram, passaram tardes a conversar e a aproveitar a brisa. E o tempo, em outro tempo, pode me oferecer o privilégio de ali também poder passar, sentar e aproveitar a brisa. Assim fazemos parte da existência, ao atentar para o que nos rodeia, ao que pode nos fazer testemunhas de uma faisca temporal que já não pode mais ser ou estar acesa, mas que ali esteve. Como em um universo paralelo, por ali mesmo passamos e temos o raro privilégio de dançar a valsa do tempo: tanto com nossos ancestrais quanto com nossos entes futuros, que ainda hão de receber o sopro da vida. Preciso entender o que toca e o que passa na estação desse sopro...


SSA, 28/01/2010


"Por aqui passeiam meus sapatos de bailarina e valsam intemporalmente nos bailes da fantasia..."
SSA, 29/10/2010



Um pé no passado - Academia de Letras da Bahia/SSA.
SSA, 10/11/2009


Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) FOTO: (acervo particular).
Publicado originalmente no Meme/yahoo, em 10/11/2009.