quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

na porta do tempo

(1)



(segunda versão)




| na porta do tempo |


pé no passado . àquela casa de ontem, pensar o tempo . ves.tida em cores simpáticas, segura, em teu jardim, aura intemporal . pressinto: correr livremente pelo tempo, ir.e.vir . suave, ora: vertiginosa . sentar naquele banco, viagem, dado prazer . lugares e o mesmo lugar . pessoas e suas vestes, ali . outras pessoas, tardes, conversas . brisa de ontem em mim . tempo em outro tempo . parte da existência . testemunhas do que nos rodeia: faísca (in)temporal, acesa, ali . universo paralelo em nós - valsa do tempo: dançam nossos ancestrais e entes futuros . sopros da vida . nessa estação, toco e passo . por aqui, meus sapatos de bailarina . e valsam, intemporalmente: bailes de fantasia .
 




(primeira versão)


Aquela casa de ontem me fez pensar no tempo. Vestida com cores simpáticas, teu jardim segura uma aura intemporal. Pressinto que ali posso correr livremente pelo tempo - ir.e.vir suavemente, ora vertiginosamente. Ao sentar naquele banco fiz uma viagem como há muito não me havia dado o prazer. Percorri lugares e o mesmo lugar, vi pessoas e prestei muita atenção em como se vestiam para ali estar. Naquele mesmo banco outras pessoas descansaram, passaram tardes a conversar e a aproveitar a brisa. E o tempo, em outro tempo, pode me oferecer o privilégio de ali também poder passar, sentar e aproveitar a brisa. Assim fazemos parte da existência, ao atentar para o que nos rodeia, ao que pode nos fazer testemunhas de uma faisca temporal que já não pode mais ser ou estar acesa, mas que ali esteve. Como em um universo paralelo, por ali mesmo passamos e temos o raro privilégio de dançar a valsa do tempo: tanto com nossos ancestrais quanto com nossos entes futuros, que ainda hão de receber o sopro da vida. Preciso entender o que toca e o que passa na estação desse sopro...


SSA, 28/01/2010


"Por aqui passeiam meus sapatos de bailarina e valsam intemporalmente nos bailes da fantasia..."
SSA, 29/10/2010



Um pé no passado - Academia de Letras da Bahia/SSA.
SSA, 10/11/2009


Andréa do N. Mascarenhas Silva

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(1) FOTO: (acervo particular).
Publicado originalmente no Meme/yahoo, em 10/11/2009.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

vontade de escrever: escreviver





(segunda versão)





| vontade de escrever: escreviver |


sem dor e sem silêncio tempo não corre. vertiginosa não é a vida . nós somos .

da compulsão por tomar conta do que (de quem) faz parte do nosso quinhão de existência, vida mais e mais se nos escapa por entre os dedos .

dor, essência que nos acompanha desde sempre . por quê? tudo se inventa . invento vida sem dor .

tentativas de entender: o que se passa? lateralidades me rodeiam, transpassam, saem de mim .

noções gerais de alteridade: pressuponho tua ótica.vida . o que nos envolve . o que se tornar múlti.pl@.facetad@ . o que mais e mais nos envolve .

há muito . não transito caminhos retilíneos . pés (des)obedecem: vias e veios despercebidos .

encanto: tradução de passado resistente aos tempos .
espera meu olhar, facho de presente – movimento .
tempo, apreensível, palpável .
sensações de maleabilidade .
privilégio: ou tempo se dobra ou me dobr@ - possibilidades.
 





(primeira versão)


07/10/2009


Sem dor e sem silêncio percebo que o tempo não corre. Não é a vida que é vertiginosa: somos nós; e da nossa compulsão por tomar conta do que (ou de quem) faz parte do nosso quinhão de existência é que ela mais e mais se nos escapa por entre os dedos.


17/10/2009


A dor é essência que nos acompanha desde sempre. Não deveria ser assim. Já que tudo se inventa, vou inventando a vida sem dor, na tentativa de entender o que se passa em quase todas as lateralidades que me rodeiam, que me transpassam e que saem de mim. Depois que aprendi noções gerais de alteridade, não consigo mais não pressupor a tua ótica sobre a vida que nos envolve e que acaba por se tornar múltipla, multifacetada e ainda assim mais e mais nos envolve.



19/10/2009

Há muito não transito pelos caminhos retilíneos. Meus pés já sabem (des)obedecer e encontrar os veios talvez mais despercebidos.

Encanto: é como me traduzo diante de um objeto que pertenceu ao passado e resiste até hoje, como a esperar meu olhar, o facho de presente sobre o qual posso me movimentar. Nesses momentos o tempo é facilmente apreensível, quase palpável, o que dá uma sensação de maleabilidade e privilégio ao mesmo tempo. Não sei se o tempo se dobra ou sou eu quem o faço - há aqui muitas possibilidades.



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(FOTO: Academia de Letras da Bahia - SSA/Nazaré - acervo particular)

Você




(segunda versão)




| você |


galope de
vento.vivo

em teu ser
vi.vo(u)

presa de minhas amarras

solta,
na ponta do pé

no facho
quimera
tuas
vias

eu.possível

flor
(e)
c/ser

 





(primeira versão)


galope de vento.vivo
vivo em teu ser
presa a minhas amarras
solta, na ponta do pé
no facho de uma quimera
tua quimera
que me faz possível
que me faz flor(e)cer/ser


07/10/2009


Andréa do N. Mascarenhas Silva


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FOTO: (acervo particular)