domingo, 17 de julho de 2011

Anelos d'instante

 (1)



passo pela cidade adormecida 
não sei onde moras 
bato à porta da saudade 


um tempo se precipita 
nossas costas se encontram 
e um poema se escreve em nosso contorno


quero escrever e não posso. Nossos instantes são imperiosos e não há o que fazer senão vivê-los, mesmo que em outras esferas da existência. Clamo pelo silêncio que reina na madrugada e que é só nosso. Ninguém ousa sequer sonhar o que podemos nesse entrecho de tempo. Ao contrário do que se supõe, a distância nos une e nela inauguramos cidades prenhes de vida. Não há fantasmas ou ilusões que não sejam bem quistas aqui nessa história. Nossa temporalidade é de encanto e exala mistérios que nos fazem sorrir sorrateiros, enigmáticos, prontos a encucar os outros. Rimas não temos e o que queremos é exatamente isso: não rimar o possível. Se há encontros que sejam no mínimo improváveis, etéreos, salvaguardados em nosso salão de bailes da memória. Vivemos uma melodia que ainda será escrita por nossas palavras mais sonoras. A saudade mora ao longe e não nos alcança - está presa na capa de dentro de nossos livros, regida pela lei de nossos versos livres.


16.07.2011

[Andréa do N. Mascarenhas Silva]



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(1) FOTO: http://www.bimago.com.br/quadros/quadro-paisagem/vilas-e-aldeias/cidade-de-madrugada.html

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